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30.06.2006 | 03h00

A favelização das cidades

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Há poucos dias aconteceu em Vancouver, no Canadá, o Fórum Urbano Mundial promovido pelo programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (UN-Habitat) com o objetivo de analisar o estado ou situação das cidades no mundo. Segundo estudos recentes da ONU, através de seus vários organismos técnicos, diferentes do que inúmeros governantes pelo mundo afora dizem, a favelização avança a passos largos. Isto significa dizer que nas próximas décadas a miséria será a grande chaga e a grande mancha no "desenvolvimento" que mais poderia ser chamado de inchação de nossas cidades.

Antigamente, quando a gente pensava em miséria, fome, degradação ambiental, violência a idéia era de que isto não existia no Brasil e muito menos em Mato Grosso, era apenas um panorama distante situado na África ou quando muito nos morros cariocas. Dados da Cepal indicam que 44% da população da América Latina e mais de 62% da população de nosso continente vivem em favelas e que 76% das moradias da periferia das cidades vivem em condições precárias, sem água, esgoto, iluminação pública, pavimentação, coleta de lixo, contribuindo para o surgimento de doenças infecto-contagiosas e outras mazelas, enfim, degradação ambiental e social.

Segundo vários Estudos da ONU e de inúmeras instituições de pesquisa, a favelização avança a passos largos em todos os continentes. Dentro de pouco mais de uma década serão mais de três bilhões de pessoas vivendo em condições desumanas nas favelas, a grande maioria das quais nos países "emergentes" e subdesenvolvidos, inclusive o Brasil, que está custando muito a "emergir" e talvez nunca chegue a superar este desafio. Em nosso país, estima-se que até 2020 a população favelada, pobre ou miserável deverá ser de 55 milhões de habitantes, ou seja, aproximadamente um quarto da população do país ou pelo menos 40% da população urbana.

Este fenômeno também aos poucos vai sendo realçado em Cuiabá e Várzea Grande. Como nosso Aglomerado Urbano não possui morros e encostas como o Rio de Janeiro, Recife, Belo Horizonte, Salvador, São Paulo e outras grandes cidades brasileiras, algumas pessoas teimam em dizer que aqui não existe favela. Possivelmente esta realidade não pode ser tratada como uma questão meramente conceitual, mas fundamentalmente identificando as condições em que vivem aproximadamente 40% da população de Cuiabá e Várzea Grande. Em torno de 380 mil pessoas que vivem no Aglomerado Urbano não têm esgotos, ruas pavimentadas, coleta de lixo, habitação digna, iluminação pública, ou nem mesmo a titularidade da posse e propriedade legal das casas e casebres onde vivem. Nossos córregos são grandes esgotos a céu abertos ou "encaixotados" como o córrego da Prainha. O rio Cuiabá está morrendo, transformando-se em mais um "Tietê", conduzindo os dejetos, o lixo, resíduos químicos e toda sorte de degradação ambiental para este que é considerado um patrimônio nacional e mundial, o nosso outrora belo Pantanal. Enquanto a favelização avança, o povo, principalmente a população pobre, continua ouvindo belos e inflamados discursos, propaganda enganosa no rádio, na TV e demais veículos de comunicação de massa, principalmente utilizados pela elite política e governante em período eleitoral como o que agora se inicia.

Pão e circo sempre foram os ingredientes que as elites e os governantes ao longo da história usaram para enganar o povo, mitigando a fome de um lado e alienação e manipulação de outro. Talvez aí esteja a raiz da corrupção, dos mensalões, dos sanguessugas, dos anões e das emendas do orçamento, do caixa dois e outras formas de perpetuar as elites ou castas do poder!

Juacy da Silva é professor universitário aposentado, mestre em Sociologia. E-mail: professorjuacy@yahoo.com.br

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