05.11.2004 | 03h00
Considerando-se que nos dias 12 e 15 de outubro comemora-se o Dia das Crianças, bem como o Dia do Professor, respectivamente, queremos falar, hoje, embora tardiamente, ou seja, um mês após, sobre filhos, pois entendemos que há uma relação indispensável entre criança-professor-filho. Todo professor já foi criança e ambos são filhos... têm pais. Na realidade, o professor/educador tem tudo a ver na formação/informação dos filhos (principalmente quando ainda criança) iniciada e continuamente exercida pelos os pais, embora que muitos professores entendam que a escola seja apenas um espaço fornecedor de informações pedagógica para educar em um domínio determinado de ensino curricular, e que dar formação, princípios éticos é papel apenas dos pais. Até entendemos que devido a precariedade da escola de hoje, com professores mal formados e pessimamente informados, sem perspectiva profissional de crescimento na carreira, procurem simplesmente exercer o simplório papel de professor e não de educador. Mas falemos essencialmente sobre a relação pais/filhos da geração pós-moderna e/ou contemporânea.
A nossa geração vive à sombra das árvores plantadas pelos os pais. Hoje, a questão é saber se estamos conseguindo plantar "árvores" para prover sombras à geração futura - a dos nossos filhos, netos... -, ou se estamos plantando apenas minúsculas árvores temporárias que não produzem sombras, deixando nossos filhos expostos às incertezas do tempo?
Muitos dos valores da sociedade estão desvirtuados. Além disso, muitos dos sistemas instituídos pela Constituição do nosso país também são incoerentes e fugazes, deturpando sobremaneira os valores referentes à integridade e o valor do ser humano. E ainda têm alguns mentecaptos e/ou arremedos de apresentadores de TV que teimam em atribuir ao Estatuto da Criança e Adolescente todas as mazelas e os descaminhos da juventude atual. Quanta ignorância! O ECA tem pouco mais de dez anos. A rebeldia e descompostura ética da geração atual vem de no mínimo três décadas, mais precisamente há 35 anos, quando mais de 500 mil jovens rebeldes se reuniram na cidade de Bethel, no estado de Nova York, em agosto de l969, no Festival de Woodstock, que durante três dias celebrou ali o sexo livre, as drogas e o rock"n roll, ao som de trinta e uma bandas.
Para eles, os adultos contemporâneos (seus pais e professores, inclusive) eram irritadiços, falsos e fomentadores da guerra. Começava ali, portanto, a geração perdida, que nos legou os jovens atuais, com algumas raridades, violentos, viciados, insubordinados. Hoje a libertinagem corre às soltas nos lares, os pais de hoje não dão mais a tão necessária palmada, não dialogam com os filhos. Ficam à frente da TV até que o sono chega. E os filhos saem às ruas, só voltando (quando voltam), quando o sol do dia seguinte já raiou. Os jovens de hoje já não lêem um Carlos Drummond de Andrade, Machado de Assis, Fernando Pessoa, Manuel Bandeira, Fernando Sabino, este falecido recentemente. Quando lêem, se apegam ao esoterismo de um Paulo Coelho ou aos enfadonhos equivocados escritos de um Fernando de Morais (este que maldosamente tenta jogar lama no grande mato-grossense Felinto Müller, no seu asqueroso "livro" Olga, obra esta medíocre e mentirosa, que só consegue agradar maléficos comunistas). Não é à toa que esses escritores conseguem grandes vendedores de mercadoria, digo, de livros no Brasil. Há gosto para tudo. Mas não são apenas os filhos os responsáveis pela desestruturação da chamada nova geração, os pais também os são.
Assim o futuro é assustador, não só para nós pais, que temos uma percepção mais profunda da degradação da nossa sociedade, como também para os nossos filhos (futuros pais), que carecem de referenciais socioculturais que possam ratificar e complementar a educação que recebem (ou que deveriam receber) da família, da Escola, da classe política, dos gestores de políticas públicas... Devido a essa lacuna, nós, pais, devemos estar atentos no que concerne à nossa responsabilidade de assumir a educação de nossos filhos.
Procuremos entender que os filhos são presentes maravilhosos vindos de Deus. Ele os planejou para que se tornem benção, alívio, amor, criaturas para a paz e alegria para os pais e, por conseguinte para a sociedade. Os filhos vieram para preencher as nossas vidas, gerando significado, prazer, felicidade e significado de família. Mesmo sendo pecadores, às vezes difíceis, problemáticos, confusos e briguentos. Mesmo assim, eles são dádivas de Deus, que, através do amor, se gerou e nos deu a responsabilidade de educá-los. Infelizmente nem todos os pais assim pensam.
João da Costa Vital é contador, pedagogo e analista político, com especialização em Gestão Pública. Escreve em A Gazeta às sextas-feiras.
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