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06.02.2010 | 03h00

Indicações do exame neuropsicológico

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O neuropsicólogo hoje é um profissional que atua em diversas instituições, desenvolvendo atividades como diagnóstico, reabilitação, orientação à família e trabalho em equipe multidisciplinar. Os principais locais onde o neuropsicólogo é requisitado incluem: instituições acadêmicas (pesquisa, docência), hospitais (avaliações pré e pós-cirúrgicas), juizados (avaliação e perícias), clínicas (avaliação, reabilitação e pesquisa), consultórios privados e atendimentos domiciliares (reabilitação).

Além disso, fornece dados objetivos e formula hipóteses sobre o funcionamento cognitivo, atuando como auxiliar na tomada de decisões de profissionais de outras áreas, fornecendo dados que contribuam para as escolhas de tratamento medicamentoso e cirúrgico. A neuropsicologia tem um histórico grande de estudo de indivíduos que tinham transtornos e sequelas que envolviam o cérebro e a cognição. Ainda hoje a grande parte da população que procura um neuropsicólogo vem encaminhada por psicólogos, psiquiatras e neurologistas. Essa população de pessoas que sofreram algum tipo de transtornos e/ou sequelas, é a grande maioria, entretanto existe uma pequena parcela que procura o neuropsicólogo por preocupações de desempenho cognitivo, como, por exemplo, um esquecimento, ou uma falta de concentração em atividades, gerando assim um campo que poderia ser chamado como "neuropsicologia preventiva".

Em 2004 o Conselho Federal de Psicologia reconheceu a neuropsicologia como especialidade da psicologia (Resolução CFP nº 002/2004), com isso algumas diretrizes sobre a neuropsicologia foram escritas pela primeira vez de forma reconhecida por um órgão regulador do psicólogo brasileiro.

Segundo o CFP, existem 3 campos de atuações que são fundamentais na profissão do neuropsicólogo:

1. Diagnóstico - Através do uso de instrumentos (testes, baterias, escalas) padronizados para avaliação das funções cognitivas, o neuropsicólogo irá pesquisar o desempenho de habilidades como atenção, percepção, linguagem, raciocínio, abstração, memória, aprendizagem, habilidades acadêmicas, processamento da informação, visuoconstrução, afeto, funções motoras e executivas. Esse diagnóstico tem por objetivo poder coletar os dados clínicos para auxiliar na compreensão da extensão das perdas e explorar os pontos intactos que cada patologia provoca no sistema nervoso central de cada paciente. A partir desta avaliação neuropsicológica é possível estabelecer tipos de intervenção, de reabilitação particular e específica para indivíduos e/ou grupos de pacientes com disfunções adquiras ou não, genéticas ou não, primariamente neurológicas ou secundariamente a outros distúrbios (psiquiátricos).

2. Tratamento (reabilitação) - Com o diagnóstico em mãos é possível realizar as intervenções necessárias junto aos pacientes, para que possam melhorar, compensar, contornar ou adaptar-se às dificuldades. Essas intervenções podem ser no âmbito do funcionamento cognitivo, ou seja, no trabalho direto com as funções cognitivas (memória, linguagem, atenção, etc.) ou com um trabalho muito mais ecológico, no ambiente de convivência do paciente, junto de seus familiares, para que atuem como coparticipantes do processo reabilitatório; junto a equipes multiprofissionais e instituições acadêmicas e profissionais, promovendo a cooperação na inserção ou reinserção de tais indivíduos na comunidade quando possível, ou ainda, na adaptação individual e familiar quando as mudanças nas capacidades do paciente forem mais permanentes ou de longo prazo.

3. Pesquisa - A pesquisa em neuropsicologia envolve o estudo de diversas áreas, como o estudo das cognições, das emoções, da personalidade e do comportamento sob o enfoque da relação entre estes aspectos e o funcionamento cerebral. Para tais pesquisas o uso de testes neuropsicológicos é um recurso utilizado, para assim ter um parâmetro do desempenho do paciente nas determinadas funções que estão sendo pesquisadas. Atualmente o uso de drogas específicas, para estimulação ou inibição de determinadas funções, tem sido usadas com freqüência para observar o comportamento e o funcionamento cognitivo dos sujeitos em dadas situações. Outra técnica que muito tem contribuído nas neurociências e com grande especificidade na neuropsicologia é o uso de neuroimagem funcional por ressonância magnética e tomografia funcional por emissão de positrons (PET-CT) que permitem mapear determinadas áreas relacionadas a atividades específicas, como por exemplo recordação de listas de palavras durante o exame. Portanto, fica claro que a neuropsicologia é um campo de trabalho e de pesquisa emergente, tanto para a psicologia, quanto para as neurociências, avançando e contribuindo de forma única para a compreensão do modo como pensamos e agimos no mundo.

Graciele Girardello é neuropsicóloga e escreve aos sábados para A Gazeta. E-mail: g.girardello@terra.com.br

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