22.11.2015 | 00h00
Quanto mais velho um homem fica, mais chaves ele tem para carregar. O molho vai aumentando aos poucos, ficando mais pesado e provocando um barulho maior quando elas se tocam no caminhar. A primeira chave talvez seja a cópia para entrar na casa dos pais, quando tiver confiança e autonomia para isso. A segunda, da sala do local de trabalho; a terceira, de uma moto ou um carro talvez, e a da sonhada casa própria ou o primeiro AP. Assim, elas vão aumentando. O engraçado é que com o passar do tempo essas chaves vão mudando de tamanho e importância. No tempo de nossos avós, eram muitas, presas à cinta com um cordão de prata ou couro, e intocáveis por meros mortais. Nunca estavam separadas do dono.
Hoje elas se multiplicaram, chegaram muito mais cedo, e se abriram para portas e caminhos que muitos nem sonhavam trilhar. Abrem cofres, portões e grades e cerram outros tantos deixados para trás, trancafiados, abafados.
A elas se juntaram aos poucos penduricalhos com formas e significados diferentes; objetos que trazem lembranças, outros simplesmente para prendê-las ao seu dono. Outras nem dono mais têm.
Quanto mais utilizadas, mais descoradas ficam; algumas precisam ser refeitas ao longo de sua vida; porque perderam seus desenhos de encaixe; outras porque nunca mais foram encontradas e nem sabem porque foram deixadas para trás. Afiadas, pontiagudas, chatas ou em cor de ouro, cada uma tem um significado para quem as carrega; ou nenhum também. Muitos aliás preferem nem tê-las a pular janelas e muros a vida inteira.
O problema é quando a mão não consegue mais enfiá-la no buraco da fechadura ou a vista já não encontra o caminho certo para o encaixe, e ninguém, absolutamente ninguém está por perto para ajudá-lo. As chaves podem se perder, ficarem presas vez ou outra na porta e até se quebrarem, e ser derretidas para voltarem a ser o que são novamente; mas você não: depois de abrir e fechar portas e conhecer alguns caminhos só tem uma chance de usá-las corretamente; e o dia que não puder mais usá-las, não terá mais serventia. Ficarão apenas o jeito que as usou e que portas transpassou. Muitas, sem volta.
Oliveira Júnior é jornalista em Cuiabá. Editor de esportes de A Gazeta
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