16.10.2008 | 03h00
Outro dia recebi um e-mail que falava sobre dois irmãos que moravam em fazendas vizinhas, separadas apenas por um riacho. Houve uma desavença entre eles. Trocaram palavras ríspidas que acabaram culminando em silêncio (não mais se falavam).
Um dia, bateu um homem na porta de um dos irmãos pedindo trabalho. Mais que depressa, o fazendeiro disse que havia sim trabalho. Falou, então, ao homem: "Vê aquela fazenda ali, além do riacho? É do meu vizinho. Na realidade é do meu irmão mais novo. Nós brigamos e não posso mais suportá-lo. Vê aquela pilha de madeira ali no celeiro? Pois use para construir uma cerca bem alta." O homem, entendendo a situação, começou o seu trabalho. O fazendeiro, então foi para a cidade. Quando voltou viu que, ao invés de uma cerca, havia sido construída uma ponte entre as duas fazendas. Revoltado com o carpinteiro, começou a agredi-lo com palavras, chamando-o de atrevido. Ao olhar pela ponte, teve uma surpresa maior. Viu seu irmão vindo de braços abertos, dizendo: "Você realmente foi muito amigo construindo esta ponte mesmo depois do que eu lhe disse". De repente, num só impulso, o irmão mais velho correu na direção do outro e abraçaram-se, chorando no meio da ponte.
Ao ver a cena, o carpinteiro juntou as suas ferramentas e despediu-se. O irmão mais velho, então, falou: "Espere, fique conosco! Tenho outros trabalhos para você". E o carpinteiro respondeu: "Eu adoraria, mas tenho outras pontes a construir..."
Ao imaginar essas cenas, pensei na carreira de educador (seja ele professor, líder de equipe, pai, mãe, etc.). O que é o educador senão um construtor de pontes?!
Antigamente, tinha-se a idéia na educação, da transferência de conhecimento. Hoje sabemos que isso não ocorre. Não há como transferir conhecimento. O educador é um grande facilitador do acesso a dados. Dados são representações (gráficas, audiovisuais, etc.) de conhecimentos ou informações que alguém possui. Esses dados transformar-se-ão em informações na cabeça de outro ser, caso venha a fazer sentido (você pode me mostrar a forma de ser bilionário através de um livro em alemão, mas como eu não entendo alemão, não vou conseguir ter informações sobre aqueles dados descritos no livro). Juntando-se com outras informações que a pessoa já possui espalhadas pelas mais diversas e distantes redes neurais em seu cérebro, poderá ser adquirido um novo conhecimento. Como as redes neurais, assim como a digital e a íris, não são iguais em nenhum ser humano, criar-se-á um novo conhecimento (às vezes muito parecido com o que o professor transmitiu, às vezes muito diferente). Isso possibilita duas coisas: a pessoa se sentir (e ser verdadeiramente) dona (e senhora) daquilo que aprendeu, bem como criar o novo a partir da contribuição de suas experiências e conhecimentos anteriormente adquiridos.
Portanto, não cabe ao educador "colocar coisas na cabeça das pessoas". Cabe ao educador entender os modelos mentais de seus educandos para poder colaborar com a construção de pontes que os ajudem a encontrar os fragmentos de informações espalhados pelo seu cérebro e, a partir daí, dominarem e se apossarem daquilo que estão aprendendo, sem que não deixem de colocar a sua experiência (ou essência, no caso das crianças).
Se estamos em busca de pessoas com liberdade de pensamento, criativas, flexíveis, responsáveis, com autonomia para a tomada de decisão (e assumindo os seus riscos), precisamos ser, verdadeiramente, construtores de pontes. O verdadeiro educador é aquele que colhe os resultados sem que os veja, na maioria das vezes (visto que aparecerá no transcorrer da vida). É aquele que pensa em seu educando como um ser completo, vivo, em transformação (como todos nós somos).
Aproveitando o dia do professor que foi ontem, parabenizo a todos que são educadores (professores ou não), por andar pela vida distribuindo alegrias e responsabilidades, construindo pontes para gerar o verdadeiro conhecimento (que é de cada um).
Claudinet Antônio Coltri Júnior é consultor organizacional nas áreas de marketing, gestão estratégica e gestão de pessoas; coordenador e professor universitário do Univag e escreve em A Gazeta às quintas-feiras. Web-site: www.coltri.com.br; E-mail: junior@coltri.com.br
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