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12.09.2003 | 03h00

O falso PCC do Gugu

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Recentemente a imprensa norte-americana denunciou um jornalista por ter fraudado uma reportagem, com nomes, lugares e fatos completamente fictícios, fruto da mais absoluta criativa e "invencionista" cabeça criminosa do meio. Esta semana, no Brasil, os programas de maior audiência da tevê brasileira voltaram suas atenções para um embate de fazer pasmar o mais experiente repórter policial.

O apresentador Marcelo Rezende, âncora do "Repórter Cidadão" da Rede TV!, denunciou a "farsa" levada ao ar pelo programa "Domingo Legal", comandado por ninguém menos que Augusto Liberato, o Gugu, um dos homens mais ricos e bem-sucedidos da tevê brasileira.

A falsa reportagem, exibida no domingo, diante de milhares de espectadores, inclusive crianças, mostra dois supostos integrantes do "PCC", utilizando capuzes iguais, óculos da marca Nike, ameaçando os apresentadores Milton Neves (Record), José Luiz Datena (Band) e Marcelo Rezende (Rede TV!). Detalhe: ao denunciar a "armação" da produção de Gugu, o programa da "Rede TV!" provou que o repórter que aparece entrevistando os dois "bandidos", foi inserido na imagem através de um simples truque de edição.

Mais: o tal bandido do "PCC" empunhava um revólver calibre 38, sem balas, totalmente desmuniciado. Marcelo Rezende entrevistou um verdadeiro integrante do "PCC", que desmascarou a encenação.

No dia seguinte (quarta-feira), o programa "Cidade Alerta", da Rede Record, reforçou a denúncia ouvindo Rezende, na "Rede TV!", mas, não Datena, na Band, que no mesmo horário, mostrava um acidente em São Paulo.

Resultado: produtores, repórteres e até o SBT poderão responder a um inquérito policial que vai apurar a fraude. Um caso inédito na história da imprensa brasileira.

A semana foi mesmo de jogar no lixo tudo o que estudou, viu e ouviu sobre ética no jornalismo brasileiro. Antes da "bomba" explodir, Wagner Montes aproveitava seu "dramalhão" vespertino para acusar Márcia Goldschmit, da Band, de ter forjado um caso entre sogra e genro.

Essa avalanche de podridões que entram em nossas casas todos os dias está ganhando perigosas escalas a partir do momento que uma rede de tevê é capaz de manipular uma notícia, um fato, pessoas, se utilizando de facções criminosas, para ganhar os disputados pontos da audiência. Pode parecer mentira, como a farsa do Gugu, mas tudo isso já estava escrito há anos com "O Monopólio da Mídia" ou em pelo menos três filmes semelhantes, onde o jornalista vira notícia. A vida não copiou a ficção, apenas a traduziu.

Oliveira Júnior, jornalista, é editor de Esportes de A Gazeta e escreve neste espaço às sextas-feiras.

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