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Opinião - A | + A

04.02.2004 | 03h00

O justo e o bom

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Nas missas da França, logo após exortar os fiéis a dar graças a Deus, afirma-se que isto é justo e bom ("Cela est just et bon!"). Ao analisar detidamente esta frase, chega-se a conclusão de que nem tudo o que é justo é bom, e nem tudo o que é bom é justo. A distinção entre a "justiça dos homens" e a "justiça divina" também reforça essa tese.

A justiça dos homens é feita de medidas que nem sempre atendem ao interesse do povo, mas quase sempre ao de minorias, que fazem dela uma salvaguarda do poder temporal, que tutelam.

Essa "justiça" é mensurável, enquanto a bondade é infinita!

Além disso, o termo justo também é empregado para definir o que e se encaixa perfeitamente, sem sobras. Mas, por não ter sobras já é, por princípio, imperfeito, pois é adequado, apenas, aos poucos de se encaixam dentro de suas limitações físicas e existenciais. Nesse caso, o que é justo pode ser bom para um, e não para outro. Já a bondade se encaixa em qualquer lugar. É flexível. É adaptável.

Seguindo essa linha, nem tudo o que é justo é merecido.

O justo preocupa-se com a forma. O bom preocupa-se com o conteúdo.

O bom questiona o justo em busca da perfeição, e é senhor de seus atos. O justo é escravo da regra, ou tira proveito dela, até que a mudem.

O bom perdoa o próximo. O justo é condescendente consigo e com os seus. Daí seu lema: "Para os amigos, tudo! Para os outros, a lei!". O justo conhece todos os caminhos que lhe ensinaram ou por onde o conduziram. O bom está sempre disposto a encontrar novos!

O bom busca a verdade universal. O justo vale-se das ambigüidades da momentânea.

O bom procura corrigir seus defeitos ou poupar o semelhante de seus efeitos. O justo se acha no direito de ter os que a lei permite, como contraponto filosófico da perfeição que acredita encarnar.

O bom está sempre disposto a caminhar junto, por uma boa causa. O justo quer liderar, pelas que elege.

O bom, sem querer, é luz para todos. O justo quer e acredita ser essa luz, mesmo quando não passa de um mero reflexo.

O bom é. O justo aparenta. Como esmeraldas e turmalinas.

O bom acredita na liberdade, com respeito, e na igualdade. O justo a quer sob controle e ascensão pessoal.

O bom se basta. O justo precisa de público.

O bom usa de todos os sentidos para analisar. O justo conclui baseado apenas no que vê ou lhe mostram.

O bom expande, extrapola e reformula, na busca do novo e da superação. O justo mensura e limita ao que domina, é pedra no caminho e quer a supremacia.

Na maioria das vezes, o que é justo atende à classe dominante. Isso não quer dizer que ela seja boa. Quase sempre ela é, apenas, poderosa.

Poder e bondade são difíceis de conciliar, porque um dá esmola, ou outro ensina a pescar. O poder confunde a bondade com fraqueza. Prefere o fascínio.

Assim, nem tudo o que é justo é bom. Nem tudo o que é bom é justo. E continuará sendo assim enquanto a "justiça dos homens" for um mero instrumento de manutenção do poder de poucos, que têm como único interesse estar acima dela, como divindades num, nada divino, politeísmo de egos vorazes, insaciáveis e dissimulados.

No dia em que o justo também for bom, não haverá mais distinção entre as justiça dos homens e a justiça divina. Nesse dia as escadas não serão mais feitas de gente e nem as pedras inibirão seus caminhos.

Isso será justo e bom!

Adilson Luiz Gonçalves é engenheiro e professor universitário.

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