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Opinião - A | + A

15.03.2007 | 03h00

Por que quebrar os paradigmas (e por que não quebrá-los)?

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Temos ouvido com muita freqüência a já famosa frase: "Temos que quebrar, arrebentar os paradigmas do passado". Será?

Na minha opinião, nem sempre, nem nunca. Por quê?

Um paradigma é um modelo, um padrão de resposta, de comportamento, de atitude. Os paradigmas existem para facilitar a nossa vida. Toda vez que iniciamos a descida (ou subida) de uma escada, quando chegamos ao terceiro ou quarto degrau, o nosso cérebro já criou um paradigma com a informação sobre o tamanho dos degraus daquela escada. Desta forma, não precisamos mais olhar para o chão para subi-la (ou descê-la). Podemos olhar para frente que não corremos o risco de tropeçarmos mais (a menos que o pedreiro tenha dado uma de engraçadinho e feito os degraus com tamanhos diferentes, aí o "tombo" é certo).

Andar já é um paradigma. Você já imaginou se, toda a vez que precisássemos andar, tivéssemos que pensar no que fazer (pé direito para frente, mão esquerda para trás, pé esquerdo para trás, mão direita para frente - e depois troca)? Para nossa sorte, existem os paradigmas. Quando começamos a andar, criamos um modelo, um padrão, um hábito, de modo que hoje não precisamos mais pensar para realizar tais movimentos.

É incrível, mas os paradigmas nos fazem ganhar tempo e gastar menos energia para realizar tarefas cotidianas e corriqueiras. Precisamos criar paradigmas.

Da mesma forma, precisamos tomar cuidado com o famoso "quebrar paradigmas". Em minhas aulas, um aluno certa vez, em um estudo de caso, escreveu que o presidente da empresa em questão deveria deixar o cargo, já que ele o ocupava por mais de 50 anos (e era o fundador). Motivo: já era velho. Será? O velho, o ultrapassado está em nossas cabeças, não em nossas idades. Peter Drucker faleceu aos 95 anos e estava cada vez mais moderno. Há pessoas com 20 anos de idade que vivem ultrapassadas.

Um paradigma não deve ser simplesmente quebrado porque já faz tempo que existe. Então, como devemos proceder para não ficarmos para trás?

Simples: precisamos analisar (e não ir quebrando) diariamente os nossos paradigmas. Assim, veremos quais estão ultrapassados (que pode ser um de ontem à noite ou não), e quais continuam atuais (que pode ser um de 20 anos atrás ou não).

Um exemplo que as pessoas gostam de dar sobre paradigmas (como motivos para quebrá-los) é aquele que funciona como um mapa de uma cidade (já que são mapas mentais). Assim sendo, você pode se imaginar chegando em São Paulo hoje com um mapa do ano 1990, por exemplo. Hoje, São Paulo possui túneis, a nova Faria Lima, etc, que em 1990 não possuía. Você não conseguiria se movimentar por boa parte da cidade. Até aí tudo bem, o pensamento faz sentido. Agora imagine você passando pela Avenida Paulista (que não mudou de lá pra cá). O que você faria? Poderia andar a pé (às seis da tarde) no meio da rua ou tentaria entrar de carro no meio dos prédios só porque o mapa (de 1990) diz que há rua em determinado lugar, mas, como ele já é velho, com certeza a rua não existe mais naquele ponto. Não é assim. A Avenida Paulista (enquanto posição de rua) ainda existe como em 1990.

O que as empresas de cartografia fazem todos os anos? Simplesmente mudam as ruas onde houve mudança, que se atualizaram. O que continua do jeito que está, continua do jeito que está. Elas simplesmente atualizam o que deve ser atualizado. O que não deve ser atualizado (embora velho, antigo), continua valendo.

É preciso tomar cuidado. Se você não atualizar os seus paradigmas desatualizados, você ficará para trás, ou seja, não enxergará os novos túneis, as novas vias que a vida cria. Por outro lado, se você "arrebentar" todos os dias, todos os seus paradigmas, você não terá a base, o chão, o mapa correto, o padrão adequado para seguir o seu momento atual de vida. Não quebre todos os seus paradigmas. Analise-os diariamente e quebre aqueles que estão desatualizados. Os atuais, mantenha (pelo menos até amanhã, quando você deve analisá-los novamente).

Claudinet Antônio Coltri Júnior é professor universitário e consultor empresarial nas áreas de marketing e gestão de pessoas. E-mail: junior@coltri.com.br

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