24.04.2011 | 03h00
Por que Jesus Cristo, um homem tão bom, foi assassinado na cruz? Esta pergunta um adolescente do ensino confirmatório fez. Quem matou Jesus?
Uns dizem que foi o Império Romano, com sua política de repressão e dominação que matou Jesus. Outros dizem que foi ação divina que matou Jesus, porque a morte dele estava planejada por Deus desde o princípio. Outros escrevem e comentam que foram os sacerdotes e o pessoal do templo de Jerusalém. Há quem diga que foi a economia escravocrata da época a culpada pelo sacrifício de Jesus. Racistas dizem que os judeus queriam se livrar de Cristo, porque ele, apesar de ser de sua etnia, se comportava como um cidadão de todas as culturas e povos.
Alguns, e não são poucos, dizem que foram os próprios amigos apóstolos que queriam se livrar de Jesus. Afinal, um deles entregou-o aos verdugos. Outros, logo fugiram, quando viram o perigo. E Pedro, seu assessor e segurança pessoal, não o defendeu quando podia fazê-lo, no pátio da casa do julgamento. E o galo cantou, quando pela terceira vez negou que o conhecia.
E para você, quem matou Jesus? O importante que sempre haja um culpado. Mas que esse culpado seja o outro, nunca eu.
A confissão de fé mais antiga, da época de Jesus Cristo, diz: "Cristo morreu pelos nossos pecados, como está escrito nas Escrituras" (1 Cor 15.4a). Quem matou Jesus? Os nossos pecados. Ou seja, nós matamos Jesus.
Alguém poderia dizer: mas há tanto tempo ele foi morto. O que eu tenho com isso?
Quem visitou Ouro Preto, em Minas Gerais, certamente observou as obras de artes do conhecido escultor Aleijadinho. Em uma delas, a Crucificação de Jesus, tem uma multidão de gente levando objetos para serem cravados em Jesus. Até mesmo uma criança pequena leva um prego e dá para a mãe pregar no corpo dele, dependurado na cruz. O escultor testemunha que todos, até mesmo as crianças pequenas, matam Jesus Cristo. Matam Jesus quando vivem sem a Palavra, sem fé, sem amor de Cristo e permanecem na injustiça. Pecados são atos pontuais de desvio de conduta. Contudo, são muito mais, pois, pecado é permanecer na injustiça e ser indiferente em relação ao amor e ao clamor. Ser indiferente a mortes, aos assassinatos, às dores e aos clamores do povo, também, é meter pregos no corpo de Jesus, hoje. Pois nós o encontramos em cada pessoa que precisa de cuidado, de respeito e de atenção.
O sofrimento de Jesus é vicário, isto é, em lugar de outro. Quem deveria estar dependurado lá na cruz somos nós, mas Jesus nos livrou e assumiu nosso lugar. Não aceitá-lo em cada e todo ser significa matá-lo. Isso por causa da promessa de Jesus que diz: "Tudo o que fizestes a um destes meus irmãos, a mim o fizestes" (MT 25.40). "Deus nos encontra no próximo", escreve Martim Lutero.
Deus julgou e condenou nossa atitude de morte diante de Jesus e diante do povo. Por isso, ressuscitou-o. "...no terceiro dia foi ressuscitado, como dizem as escrituras" (1 Cor 15.4b).
É real a ressurreição de Jesus Cristo. Este fato real é nossa esperança de vida agora e sempre. Paixão e Páscoa de Jesus se encontram para nosso bem.
Teobaldo Witter é pastor luterano, professor e ouvidor público. E-mail: twitter@terra.com.br
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