17.08.2015 | 00h00
"Vimos o grande avião prateado no céu. Minha vó nos chamou para tomar café, entramos em casa e logo depois veio a explosão", conta Masahiro Sasaki, um "hibakusha", isto é, um sobrevivente que há setenta anos, escapou da tragédia nuclear no Japão.
No dia 6 de agosto de 1945, os Estados Unidos lançaram uma bomba atômica de urânio235, batizada Little Boy, sobre a cidade de Hiroshima. Foi a primeira explosão de uma bomba atômica na história da humanidade. Depois do ataque sobre Hiroshima, os Estados Unidos lançaram, três dias depois, uma segunda bomba, esta chamada de Fat Boy, feita de plutônio 239, sobre a cidade de Nagasaki. Em 15 de agosto, depois do último bombardeio, o imperador japonês Hirohito anunciou o cessar-fogo. Em 2 de setembro, o Japão assinava o instrumento de rendição incondicional, pondo fim à guerra.
Na última quinta-feira dia 06/08 em Hiroshima, no Japão, foram realizadas cerimônias para marcar o 70º aniversário da bomba atômica lançada pelos Estados Unidos, no final da 2ª Guerra Mundial. O prefeito de Hiroshima, Kazumi Matsui, chamou as armas nucleares de "o mal absoluto" e de "desumanidade suprema", termos absolutamente adequados para definir aparatos bélicos atômicos.
Não resta qualquer dúvida que é chegada a hora dos governos impulsionarem a abolição desse tipo de armamento. É possível implantar sistemas de segurança amplos e versáteis que não dependam do poderio nuclear. As consequências da utilização deste artefato militar são imprevisíveis e se estendem por muitos e muitos anos; causam um profundo trauma e fixam uma cicatriz perpétua na memória da humanidade. As aterradoras imagens estão diante de todos, e os relatos das vítimas que sobreviveram são dos mais pungentes, enfim, este é o caminho mais insano que a comunidade internacional pode escolher trilhar.
As bombas atômicas criam diversas novas formas de matar nunca vistas pela ciência. No Japão em 1945, depois da explosão, veio o fogo, e alguns locais das cidades atingidas ficaram cinco vezes mais quente do que a superfície do sol. As queimaduras por radiação atômica eram terríveis. Depois, foi a chuva negra, uma chuva formada na nuvem de poeira radioativa da explosão. Ela envenenou os rios, os poços de água e o solo. Dois meses depois da explosão, aqueles que beberam água da chuva negra começaram a perder cabelo. Era mais uma doença da radiação. Até hoje, mais de 297 mil morreram em razão desta gigantesca explosão nuclear.
O título deste artigo é "Rosa de Hiroshima", o nome de um belo poema escrito por Vinícius de Moraes em que a bomba atômica é comparada a uma rosa, pois ao explodir se parece com uma rosa depois de desabrochar. Ao contrário da flor, sempre relacionada à beleza, a Rosa de Hiroshima remete para as horríveis consequências deixadas pela bomba atômica.O poema de Vinícius, adaptado para a música e imortalizado na voz de Ney Matogrosso, expressa a tristeza e o sofrimento das vítimas da bomba atômica. É também uma manifestação genuinamente brasileira em favor da paz, em prol de um mundo em que não haja espaço para armas nucleares.
Daniel Almeida de Macedo é Mestre em Direito Internacional pela Universidade do Chile e pesquisador na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.
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