Publicidade

Cuiabá, Quinta-feira 18/06/2026

Opinião - A | + A

29.08.2010 | 03h00

Sexo pago e sem sabor

Facebook Print google plus

Enquanto o Brasil vive mais uma campanha eleitoral daquelas, convenhamos, tipo osso duro de roer tamanha a falta de novidade, o mundo se diverte com a criação do que, à primeira vista, parece apenas ser absolutamente fora de propósito. Em nome da crise econômica, uma nova modalidade de serviços delivery está agitando a Espanha. Batizada de porno-chacha, a invenção consiste numa mistura de trabalho doméstico à domicílio que reúne as tradicionais faxina, lavagem de roupas e cozinhar com atividades eróticas. Enfim, diária completa no estilo barba, cabelo e bigode ou cama, mesa e banho.

No primeiro mês, a inovação porno-chacha levou para jornais e internet 750 mil anúncios de empregadas dispostas ao serviço. E, em contrapartida, outros tantos mil com patrões solicitando moças para trabalhos domésticos, realizados em meio a cenas e ações calientes. Algumas ofertas chamaram atenção por um detalhe: "pago adiantado e por hora, 20 ou 30 euros (cerca de R$ 53 a R$ 80)". Já outras pela clara exploração. Propostas de casa e comida em troca de sexo ou no máximo a exigência de que as empregadas trabalhassem com pouca ou nenhuma roupa.

Para quem não sabe a Espanha é um dos países mais afetados pela crise econômica mundial, com taxa de desemprego chegando perto de 20%, além de um alto índice de atividades envolvendo a prostituição, inclusive com tráfico de mulheres. Se o serviço porno-chacha agradou a um segmento, provocou reações indignadas de instituições que lutam pela reintegração social de prostitutas no país. Uma delas, a ONG Amunod protestou duramente. A presidente, Teresa López, disse que nunca viu algo assim e prestou queixa na Polícia contra os anunciantes.

Já estimativas da Associação Espanhola de Prostíbulos indicam que o novo serviço tem atraído principalmente mulheres espanholas que jamais haviam se prostituído. E a explicação é uma só: a possibilidade de exercer a profissão de forma livre, mas às escondidas. O serviço porno-chacha, para espanto geral da nação, fez o mercado de prostituição saltar de 5% para 30%. A entidade revela ser altíssimo o percentual de mulheres casadas que atendem aos anúncios, simplesmente porque não conseguem pagar as contas no fim do mês.

Cifras envolvendo a mais antiga das profissões beiram a 20 bilhões de euros (aproximadamente R$ 53 bilhões) por ano na Espanha, 2% do PIB nacional. Com esses valores, o otimismo do mercado do sexo não tem limites, ainda que parte da sociedade esteja protestando contra às inovações da atividade. Em um ano, anúncios delivery de porno-chacha cresceram 50% e, mesmo que a crise econômica afete a promissora profissão, os lucros são atraentes aos empresários do segmento.

Situações como essa não deixam de mexer com a gente, porque a exploração da mulher enquanto objeto de prazer vai além da criação de porno-chacha e do sucesso empresarial do serviço. Em qualquer lugar e, desde que o mundo é mundo, a prostituição faz suas vítimas e tem seus algozes. Mas há mulheres que preferem a "facilidade" - entre aspas - da profissão. Claro que para outras "cair na vida" é por pura falta de opção.

Fico pensando quando vejo coisas assim, até onde vai a miséria humana? Mulheres que vendem o corpo pelo sustento. Homens que se submetem ao prazer pago e simulado. E o sexo interação homem e mulher? Que seja apenas carnal, que seja por amor, que seja pelo gosto ou por não ter o que fazer. Não importa a condição social. Mulheres e homens têm o direito de ir para a cama para realizar os mais malucos dos desejos. Condenar o prazer ao pagamento parece pouco saboroso.

Margareth Botelho é jornalista em Cuiabá, diretora de Redação de A Gazeta e escreve neste espaço aos domingos. E-mail: margareth@gazetadigital.com.br

Voltar Imprimir

Publicidade

Comentários

Enquete

Você acredita que nesta Copa o hexa vem?

Parcial

Publicidade

Edição digital

Quarta-feira, 17/06/2026

imagem
imagem
imagem
imagem
imagem
imagem
btn-4

Indicadores

Milho Disponível R$ 66,90 0,75%

Algodão R$ 164,95 1,41%

Boi à vista R$ 285,25 0,14%

Soja Disponível R$ 153,20 1,06%

Publicidade

Classi fácil
btn-loja-virtual

Publicidade

Mais lidas

O Grupo Gazeta reúne veículos de comunicação em Mato Grosso. Foi fundado em 1990 com o lançamento de A Gazeta, jornal de maior circulação e influência no Estado. Integram o Grupo as emissoras Gazeta FM, FM Alta Floresta, FM Barra do Garças, FM Poxoréu, Cultura FM, Vila Real FM, TV Vila Real 10.1, TV Pantanal 22.1, o Instituto de Pesquisa Gazeta Dados e o Portal Gazeta Digital.

Copyright© 2022 - Gazeta Digital - Todos os direitos reservados Logo Trinix Internet

É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem a devida citação da fonte.