DEU EM A GAZETA 14.06.2026 | 14h32

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Divulgação
Juíza Mônica Catarina Perri tornou réus nove pessoas pelo assassinato do advogado Roberto Zampieri, morto a tiros quando saía de seu escritório, no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá. O crime foi cometido em 5 de dezembro de 2023 e teve como motivação uma disputa de terra avaliada em R$ 100 milhões. A denúncia, oferecida pelo Ministério Público, aponta como mandantes Anibal Manoel Laurindo e Elenice Ballarotti Laurindo. Eles foram denunciados por homicídio qualificado.
A decisão cita que ambos orquestraram uma organização que se empenhou em um verdadeiro pacto de silêncio, mediante pagamentos entre R$ 500 mil e R$ 750 mil, para que os executores presos não apontassem os mandantes do crime. Elenice teve a prisão preventiva decretada em decisão proferida nesta quinta-feira (11).
O órgão ministerial citou a prática de formação de organização criminosa contratada para a execução do crime. Passam a responder por organização criminosa Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, Hedilerson Fialho Martins Barbosa, Antônio Gomes da Silva, Gilberto Louzada da Silva, Peterson Venites Komel Júnior, Salézia Maria Pereira de Oliveira e Mario Jorge Bucater. Gilberto Louzada da Silva também foi denunciado pela prática do crime de homicídio após a identificação, no curso do processo, de que participou do plano que resultou no assassinato do advogado.
O Ministério Público já havia oferecido denúncia contra Etevaldo, Hedilerson e Antônio Gomes por homicídio qualificado. Eles já foram pronunciados e aguardam presos a realização do júri. A nova denúncia, datada de 22 de maio, foi oferecida após o retorno dos autos do inquérito policial, que estavam sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF). Nela, o MP pedia a decretação da prisão de Elenice, Peterson, Salézia e Mario Jorge.
A prisão foi deferida para a apontada mandante, e medidas cautelares, como monitoramento eletrônico, foram determinadas para os outros três. A juíza autorizou ainda o compartilhamento dos autos com a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa de Cuiabá para que, se entender pertinente, instaure inquérito policial complementar destinado à apuração do envolvimento de outras pessoas no crime.
Caixa de Pandora
Zampieri foi executado com 12 tiros quando deixava seu escritório após o expediente. Para ajudar na elucidação do crime, a polícia recolheu o telefone celular do advogado. A análise do conteúdo do aparelho revelou um sofisticado esquema de venda de sentenças no Judiciário de Mato Grosso e de outros estados, com implicações até no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
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