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'MANÍACO DA LANTERNA' 19.04.2026 | 10h00

Assassino em série espalhou medo em Alta Floresta entre 2001 e 2005

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Uma sequência de crimes brutais transformou a rotina dos moradores de Alta Floresta (803 km ao Norte) em um cenário de medo entre 2001 e 2005. À noite, em estradas de terra, terrenos baldios e pontos afastados da cidade, casais passaram a ser alvo de um criminoso silencioso, que surgia no escuro e desaparecia sem deixar rastros claros. A polícia acredita que ele seja o autor de 15 assassinatos, contudo, o criminoso confessou apenas 12 e, em alguns casos, os corpos nunca foram encontrados.

 

O autor dos ataques é Cláudio de Souza, conhecido como “Maníaco da Lanterna” ou “Peninha”. O apelido não surgiu por acaso: ele utilizava uma lanterna para iluminar diretamente o rosto das vítimas, cegando momentaneamente quem estava à sua frente e dificultando qualquer tentativa de identificação. Era assim que dominava a situação antes de agir.

 

O padrão dos crimes era semelhante. Ele escolhia locais isolados, onde casais costumavam se encontrar à noite. Armado, surgia do meio do mato, surpreendia as vítimas e, em poucos segundos, transformava o que seria um momento comum em uma cena de violência. Na maioria dos casos, atirava primeiro nos homens e depois nas mulheres.

 

O primeiro ataque registrado aconteceu em abril de 2001. Um casal foi surpreendido dentro de um carro, próximo a uma estrada afastada. A jovem morreu no local. O namorado conseguiu fugir, mesmo sendo perseguido pelo criminoso, e pediu ajuda. Na cena, um detalhe perturbador: um bilhete com a frase “Toma traidora”, deixado pelo assassino.

 

A partir daí, o que era um caso isolado virou uma sequência de crimes. Em outro episódio, uma mulher foi assassinada e o corpo desapareceu completamente. Em diferentes locais, vestígios como objetos pessoais, fios de cabelo e marcas de violência indicavam que o autor conhecia bem a região e sabia como agir sem ser facilmente encontrado.

 

Descrito como andarilho, o criminoso vivia entre áreas de mata, carregando sacolas presas a uma bicicleta. Essa rotina errante dificultava o trabalho das autoridades e aumentava o clima de insegurança. A população passou a evitar sair à noite, e pontos antes frequentados por casais ficaram desertos.

 

A primeira prisão aconteceu em abril de 2002. Ao ser interrogado, Cláudio de Souza confessou pelo menos 9 assassinatos e duas tentativas de homicídio. Disse que cometia os crimes por ouvir vozes. Mesmo com a prisão, o alívio durou pouco.

 

Cerca de 8 meses depois, ele fugiu da cadeia pública de Alta Floresta junto com outros detentos. A fuga reacendeu o pânico. E, de fato, novos crimes voltaram a ser registrados.

 

Leia também - Jovem de 22 anos é achado com cortes na cabeça e morre após ataque em Poconé

 

Entre os casos mais marcantes desse período está o assassinato de uma estudante dentro da própria casa, mostrando que o criminoso havia se tornado ainda mais ousado. Em 2004 e 2005, duas adolescentes, de 15 e 16 anos, desapareceram nas proximidades de um clube da cidade. Próximo ao local, foram encontrados objetos e vestígios que ligavam os crimes ao mesmo autor.

 

As investigações se tornaram uma das mais complexas já realizadas no estado. O inquérito reuniu mais de 3 mil páginas, com depoimentos, reconstituições, análise de bilhetes deixados nas cenas e exames periciais. Um dos pontos mais importantes foi o uso de DNA, ainda pouco difundido na época, que ajudou a consolidar provas e impulsionou a criação de um banco genético em Mato Grosso.

 

Para o Ministério Público, não havia dúvidas sobre o perfil do acusado. A promotoria classificou o caso como típico de um assassino em série, destacando que esse tipo de criminoso tende a evoluir e aperfeiçoar seus métodos ao longo do tempo.

 

Na sentença, a Justiça foi dura ao descrever o réu como extremamente perigoso e responsável por espalhar medo e pavor na população. O magistrado ressaltou a frieza, a violência e a reincidência dos crimes, apontando a necessidade de isolamento.

 

Em 2018, Cláudio de Souza foi levado a júri popular em dois processos e condenado a 62 anos de prisão pelos assassinatos de duas jovens. Somadas a outras condenações, as penas ultrapassam 200 anos de reclusão. 

 

Situação atual
Atualmente, Cláudio de Souza cumpre pena no presídio Ferrugem, em Sinop, onde segue sob custódia do sistema penitenciário.


Documentos da execução penal, que tramitam na 3ª Vara Criminal da comarca, mostram que o detento teve ao menos 115 dias de pena remidos, ou seja, reduzidos, por meio de trabalho e leitura.

 

Apesar da redução, a Justiça determinou que esses dias sejam descontados do total da pena, que ultrapassa 198 anos, e não do limite máximo de cumprimento previsto na legislação. A decisão impactou diretamente o cálculo de progressão e término da pena.

 

Com isso, a previsão atual aponta que o cumprimento deve se estender até abril de 2038, conforme atualização judicial baseada em entendimento do Supremo Tribunal Federal.

 

Mesmo após mais de duas décadas do início dos crimes, o caso ainda é lembrado como um dos mais marcantes da história criminal de Mato Grosso, não apenas pela violência, mas pelo impacto duradouro que deixou na população de Alta Floresta.

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