JOIAS E DÓLARES LEVADOS 02.09.2026 | 07h11

yuri@gazetadigital.com.br
Divulgação/PJC
A investigação que resultou na Operação Sacrilegium, deflagrada nesta quarta-feira (2) pela Polícia Civil, começou a partir de furtos praticados em apartamentos de alto padrão de Cuiabá e revelou um esquema planejado para identificar moradores, monitorar a rotina das vítimas e acessar os imóveis no momento considerado mais seguro pelos criminosos. Ao todo, 20 ordens judiciais são cumpridas em São Paulo.
Um dos casos investigados ocorreu em 13 de abril de 2025, em um condomínio no bairro Duque de Caxias. Conforme a apuração da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf), um dos suspeitos entrou antecipadamente no prédio e se passou por morador. Depois, permaneceu em uma área que não era alcançada pelas câmeras de segurança.
Quando a vítima deixou o apartamento, outro integrante do grupo foi até a portaria e perguntou especificamente pela moradora. Ao confirmar que ela não estava no imóvel, o suspeito, que já permanecia dentro do condomínio, seguiu até o apartamento pelas escadas.
A porta de acesso pela cozinha foi arrombada e o criminoso entrou no imóvel. Gavetas foram violadas e joias, peças de ouro, pérolas, pedras preciosas, além de dinheiro em moeda nacional e estrangeira, foram levados. O prejuízo foi estimado inicialmente em cerca de R$ 300 mil.
As diligências realizadas pela Polícia Civil também permitiram identificar o veículo utilizado para dar apoio à ação.
Registros de monitoramento e informações obtidas junto a concessionárias de rodovias mostraram que o automóvel havia entrado em Mato Grosso no dia anterior ao furto. Poucas horas depois do crime, o veículo deixou o Estado e seguiu em direção a São Paulo.
A dinâmica identificada pelos investigadores apontou ainda para uma divisão de tarefas. Enquanto um dos criminosos entrava no condomínio e executava o furto, outro ficava responsável por confirmar a ausência da vítima. Os demais permaneciam nas proximidades, dando suporte à ação e garantindo o deslocamento do grupo após o crime.
Segundo furto ajudou a revelar esquema
Outro inquérito instaurado pela Derf apurou um segundo furto, ocorrido em 19 de setembro de 2025, também em Cuiabá. Neste caso, a atuação policial resultou na apreensão do veículo e de aparelhos celulares utilizados pelos investigados.
Com o avanço das apurações, os investigadores conseguiram reconstruir parte da estratégia utilizada pelo grupo. Antes de agir, os suspeitos levantavam nomes de moradores, endereços de edifícios residenciais, localização dos imóveis e informações relacionadas às formas de acesso aos condomínios.
A investigação apontou ainda que, no mesmo dia, diferentes prédios de Cuiabá chegaram a ser avaliados como possíveis alvos. Os integrantes circulavam pela cidade e analisavam as condições encontradas em cada local antes de decidir se a ação seria realizada ou interrompida.
As informações eram compartilhadas entre os criminosos em tempo real. Dessa forma, o grupo conseguia avaliar a movimentação nos condomínios e as condições de acesso aos apartamentos antes de avançar com o furto.
Viagens rápidas e atuação coordenada
A análise dos deslocamentos também foi fundamental para a investigação. A Polícia Civil conseguiu identificar o veículo utilizado pelo grupo e cruzar os registros de circulação com os horários e locais relacionados aos crimes.
A dinâmica apontou que os suspeitos saíam de São Paulo, viajavam até Cuiabá para realizar o levantamento dos possíveis alvos e, após os crimes, deixavam rapidamente Mato Grosso.
A partir da análise dos dois casos, os investigadores concluíram que, apesar de se tratarem de ocorrências distintas, havia ligação entre os envolvidos. Os elementos reunidos permitiram individualizar a participação de cada suspeito e apontar a forma coordenada como o grupo atuava.
As informações obtidas nos dois inquéritos serviram de base para os pedidos de medidas judiciais cumpridos nesta quarta-feira durante a Operação Sacrilegium.
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