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AMARRADOS COM CORDAS 01.06.2026 | 11h35

Clínica onde interno foi morto tinha 'várias irregularidades', diz delegado

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Yuri Ramires e Helena Werneck

redacao@gazetadigital.com.br

Helena Werneck

Helena Werneck

As investigações iniciais sobre a morte do paciente Alessandro Sidinei Braga, 38, no Centro Terapêutico Pró-Vida, em Cuiabá, apontam para possíveis irregularidades no funcionamento da unidade. O caso veio à tona após o interno morrer na manhã de domingo (31). Odiley Rodrigues de Souza, 42, que é ex-interno e atual funcionária da unidade, foi preso suspeito de matar Alessandro e alterar a cena do crime, simulando suicídio. 

 

Segundo informações do delegado Michael Paes, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o próprio gerente da instituição relatou que o local recebe pacientes encaminhados por municípios do interior de Mato Grosso, por meio de contratos firmados com prefeituras para acolhimento e tratamento de dependentes químicos e pessoas com transtornos mentais.

 

A existência desses convênios leva à presunção de que a documentação necessária para o funcionamento da unidade esteja regularizada. No entanto, conforme apurado, a principal preocupação das autoridades está relacionada às condições práticas de atendimento e aos protocolos adotados no dia a dia da clínica.

 

De acordo com relatos colhidos durante a investigação, um dos pontos que mais chamou a atenção foi a forma utilizada para conter pacientes em surto, como foi o caso de Alessandro. 

 

"Essa é a maior irregularidade. Primeiro, tem que saber se eles podem trabalhar com esse tipo de pessoas. Fora que é totalmente irregular, não tinha um equipamento correto de conteção", disse. O delegado conta que Odileu confirmou que, quando um paciente está em surto, ele conta com a ajuda de outros pacientes. 

 

"Ele mesmo confessa que amarra os pacientes com corda. Então, você já verifica que tem muita irregularidade", destacou Paes. Outro aspecto investigado é se a clínica possui autorização e estrutura adequadas para atender pacientes com transtornos psiquiátricos graves, incluindo pessoas diagnosticadas com esquizofrenia.

 

Crime

 

Alessandro Sidinei Braga, 38, foi encontrado morto na manhã deste domingo (31) em uma clínica terapêutica localizada no bairro Jardim Primavera, em Cuiabá. Inicialmente, a ocorrência era de suicídio, porém, durante a investigação, a polícia descobriu que se tratava de um homicídio. Polícia prendeu o suspeito do crime. 

 

De acordo com informações da Polícia Militar, a equipe foi acionada pelo Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp) por volta das 7h58 para atender a ocorrência.

 

No local, os policiais constataram que se tratava do Centro Terapêutico Pró-Vida, instituição voltada ao atendimento de dependentes químicos e pessoas diagnosticadas com esquizofrenia, que abriga cerca de 42 internos.

 

Segundo relatos colhidos pela polícia, Alessandro realizava tratamento para controle da esquizofrenia. No sábado (30), ele teria apresentado um surto psicótico, situação que exigiu contenção física e administração de medicamentos controlados para estabilização do quadro.

 

Testemunhas informaram que, durante a contenção, as mãos do paciente foram amarradas e somente liberadas após ele apresentar comportamento considerado colaborativo.

 

Os responsáveis pela clínica relataram aos policiais que, ao amanhecer, outros internos perceberam que Alessandro estava sem sinais vitais. Conforme a versão apresentada, ao entrarem no quarto onde ele dormia, encontraram a vítima já morta, com uma corda enrolada no pescoço.

 

A Polícia Militar informou que a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) esteve no local e, durante a análise da cena, identificou divergências entre os vestígios observados e as informações inicialmente repassadas pelos responsáveis pela instituição.

 

Com a investigação, foi descoberto que um ex-interno, que atualmente trabalha no local, tentou conter a vítima. Durante a ação, ela acabou morrendo. A princípio, não há indícios de que o autor tenha agido com a intenção de matar.

 

No entanto, com receio de ser responsabilizado pela morte, o suspeito teria alterado a cena do ocorrido para simular um suicídio por enforcamento. A suposta fraude foi identificada durante os trabalhos periciais, o que levou à mudança da linha investigativa e à prisão do envolvido.

 

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