primeiro feminicídio de 2026 12.01.2026 | 18h44

mariana.lenz@gazetadigital.com.br
Reprodução
Milena Souza Oliveira, mãe de Laila Carolina Souza da Conceição, 29, relata que a filha contou a ela, dias antes de morrer, que o cunhado a perseguia e estava obcecado por ela. Laila foi assassinada por Gutemberg Lima Santos, na manhã de domingo (11), em Nova Maringá (400 km a médio-norte de Cuiabá). Um dos filhos presenciou o crime e a vítima foi encontrada após vizinhos chamarem a polícia ao ouvir uma discussão no imóvel.
Ao
, a mãe da jovem, que mora em Santa Bárbara do Pará (PA), narra que a filha veio para Mato Grosso há 5 anos. Ela mudou para Nova Maringá (MT) com um namorado em busca de trabalho e oportunidades. No entanto, o relacionamento não deu certo e ele retornou ao estado de origem. Laila decidiu ficar em Mato Grosso.
"Minha filha foi para Mato Grosso com um rapaz, que ela morava com ele, porém ele deixou dela, mas ela continuou aí trabalhando, batalhando, conquistando. Como ela estava sozinha, ela iniciou um relacionamento com outro rapaz, o Gutierrez, que está preso, e ela viveu só trabalhando. Esse cunhado dela, perseguia ela. Ela me contou e disse que queria vir embora porque ele estava perseguindo ela, era obcecado por ela e acabou fazendo o que fez", desabafa a mãe.
Segundo Milena, a filha nunca teria se relacionado com o cunhado. Já no domingo, o homem foi a casa de Laila e a matou a facadas. De acordo com a mãe, a jovem deixa 3 filhos, sendo um menino de 12 e duas gêmeas de 7 anos, fruto de outro relacionamento. Uma das crianças viu o crime e contou aos policiais que chegaram na casa para atender a ocorrência.
Prisão mantida
Ainda na manhã desta segunda-feira (12), durante audiência de custódia, Gutemberg teve prisão preventiva decretada pelo juiz plantonista da comarca de São José do Rio Claro (315 km a Médio-Norte), Daniel Campos Silva de Siqueira.
O magistrado considerou que a prisão preventiva é necessária, uma vez que o agressor cometeu o crime e ainda tentou fugir. "A gravidade é concreta: trata-se, em tese, de feminicídio cometido com extrema violência (golpes de faca e múltiplas perfurações), em contexto doméstico e familiar, com registro de que crianças teriam presenciado a agressão contra a genitora, evidenciando alta ofensividade do e risco social relevante. Soma-se a isso a tentativa de fuga após o fato, modus operandi circunstância que reforça o risco à aplicação da lei penal", destacou.
O juiz acrescentou que Gutemberg já possui histórico de conflito com a lei, respondendo por crimes de ameaça, desacato e vias de fato em julho de 2024, além de que, no caso recente, medidas cautelares diversas da prisão seriam inadequadas pelo contexto de violência doméstica, pelo resultado morte e pela tentativa de fuga.
O caso
Segundo informações da Polícia Civil, a equipe da Polícia Militar foi acionada inicialmente por vizinhos para atender uma ocorrência de briga de casal. No endereço, os policiais encontraram uma criança, um dos filhos da vítima, em desespero, pedindo socorro. Em seguida, avistaram o corpo da mulher caído no chão, com diversas perfurações pelo corpo causadas por arma branca.
Uma equipe do Hospital Municipal foi acionada, sendo enviada uma ambulância a residência, porém a equipe médica constatou o óbito ainda no local. O suspeito fugiu antes da chegada dos policiais, mas foi encontrado correndo com uma faca na mão e com o corpo sujo de sangue. Ele confessou o crime e disse que "perdeu o controle" durante uma discussão com a vítima.
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