VOLTANDO ÀS ORIGENS 07.08.2026 | 11h39

pablo@gazetadigital.com.br
Otmar de Oliveira
O senador Wellington Fagundes, pré-candidato ao governo do Estado, decidiu ignorar (ou assumir) a pecha de "melancia", termo usado por bolsonaristas radicais para definir políticos "verdes por fora e vermelhos por dentro", e escolheu um antigo aliado histórico da esquerda para compor sua chapa como vice: o médico Alencar Farina.
Além de gerar crise com o Novo, que havia indicado o empresário Marcelo Maluf como vice, a decisão de Fagundes resgata pontes do senador com o campo da esquerda e progressista. A escolha tem potencial para reacender a disputa interna no PL de Mato Grosso, onde uma ala mais identificada com o bolsonarismo já questionou publicamente a candidatura de Fagundes ao Palácio Paiaguás. O histórico de alianças do senador com partidos de esquerda é uma das principais munições usadas por seus adversários dentro da própria legenda.
Farina, por sua vez, não chega à chapa como um nome estranho à política. Sua trajetória é marcada por mudanças partidárias e por uma longa circulação entre grupos políticos de diferentes espectros.
Leia também - 'Falta de respeito pessoal e político', dispara Maluf sobre Wellington e o PL
Em 2004, quando ainda estava no PL, Farina foi escolhido para ser candidato a vice-prefeito de Cuiabá na chapa encabeçada por Alexandre César, do PT. A aliança reunia PT, PL e PC do B. A chapa chegou ao segundo turno e terminou a eleição com 47,15% dos votos válidos, derrotada por Wilson Santos (PSDB).
A aproximação com o campo petista se aprofundaria nos anos seguintes. Em 2008, Farina já aparecia entre os candidatos a vereador de Cuiabá pelo PT. Naquele mesmo ciclo, seu nome chegou a ser tratado dentro do partido como uma possibilidade para a disputa majoritária na Capital. Na foto que ilustra a matéria, é possível ver Farina, de branco, no meio, ao lado dos colegas segurando a bandeira do partido. O registro é de abril de 2008.
Quatro anos depois, o médico voltou ao centro das articulações eleitorais. Em 2012, o PT lançou Farina como pré-candidato à Prefeitura de Várzea Grande. A candidatura foi homologada depois que Cida Cortez, presidente do Sintep no município, desistiu da disputa interna.
A relação de Farina com Wellington, entretanto, não é recente. Em 2003, quando decidiu entrar na política, o médico deixou o PMDB e ingressou no PL. Sua filiação foi abonada pelo então vice-presidente José Alencar, em encontro liderado pelo presidente regional do partido, Wellington Fagundes. Naquele momento, Farina era apresentado como pré-candidato à Prefeitura da Capital.
O movimento de agora, portanto, fecha um círculo iniciado mais de duas décadas atrás: Farina entrou na política pelo PL sob a influência de Wellington, migrou para o PT, disputou eleições associado ao campo da esquerda e retorna ao grupo do antigo aliado para compor uma chapa que pretende chegar ao governo do Estado.
Contudo, a escolha de Farina pode ter efeito inverso ao pretendido para a unidade interna do PL. Ao levar para a chapa um médico que já esteve no PT e que construiu parte de sua trajetória política ao lado de lideranças da esquerda, Fagundes oferece novos argumentos à ala que tenta questionar sua identidade política dentro do partido.
O problema para o senador é que a disputa pelo governo ocorre em um momento no qual o PL mato-grossense tenta conciliar duas forças: de um lado, a estrutura partidária construída por Fagundes ao longo de décadas; de outro, a militância bolsonarista que ingressou na legenda nos últimos anos e passou a exigir maior alinhamento ideológico.
Farina se torna, assim, mais do que um candidato a vice. Sua escolha expõe a contradição central da campanha de Fagundes: um candidato que precisa do eleitorado bolsonarista para disputar o governo, mas que carrega uma trajetória política construída antes da atual polarização e marcada por alianças que atravessaram a esquerda e a direita.
Publicidade
Publicidade
Milho Disponível
R$ 66,90
0,75%
Algodão
R$ 164,95
1,41%
Boi à vista
R$ 285,25
0,14%
Soja Disponível
R$ 153,20
1,06%
Publicidade
Publicidade
O Grupo Gazeta reúne veículos de comunicação em Mato Grosso. Foi fundado em 1990 com o lançamento de A Gazeta, jornal de maior circulação e influência no Estado. Integram o Grupo as emissoras Gazeta FM, FM Alta Floresta, FM Barra do Garças, FM Poxoréu, Cultura FM, Vila Real FM, TV Vila Real 10.1, TV Pantanal 22.1, o Instituto de Pesquisa Gazeta Dados e o Portal Gazeta Digital.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem a devida citação da fonte.