VIOLËNCIA CONTRA A MULHER 01.05.2026 | 17h30

maria.klara@gazetadigital.com.br
Tânia Rêgo/Agência Brasil
O número de feminicídios apresentou queda em abril, mas os dados acumulados de 2026 acendem um alerta. O mês registrou 3 mortes de mulheres, metade do total contabilizado em março, que, até o momento, é o período mais violento do ano, com 6 casos.
Apesar da redução mensal, o cenário geral preocupa. De acordo com dados do Observatório Caliandra, do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), abril repetiu o mesmo número registrado no ano passado, quando também houve 3 feminicídios no período.
No acumulado dos 4 primeiros meses do ano, 2026 já soma 13 mortes, interrompendo uma tendência de queda observada nos anos anteriores. Em 2023, foram 13 casos entre janeiro e abril; em 2024, o número caiu para 12; e, em 2025, atingiu o menor índice da série, com 11 registros. Agora, os dados voltam a subir, igualando o patamar de anos anteriores.
Outro dado que chama a atenção é a baixa incidência de medidas protetivas entre as vítimas. Das 13 mulheres assassinadas neste ano, apenas 4 possuíam algum tipo de proteção judicial contra os agressores.
Para a promotora de Justiça Claire Vogel Dutra, o cenário revela falhas no sistema de proteção e, principalmente, a subnotificação dos casos de violência. Segundo ela, a maioria das vítimas sequer chegou a denunciar as agressões.
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“O sistema de proteção muitas vezes é falho. A maior parte dessas vítimas que morrem não registrou boletim de ocorrência e uma parcela ainda menor chegou a pedir medida protetiva. São mulheres que estão sofrendo violência, mas não denunciam”, afirmou.
A promotora destaca que a rede de atendimento pode ter papel fundamental na identificação precoce desses casos. “Serviços de saúde, assistência social e até a escola podem perceber sinais antes que a violência evolua. Muitas vezes, a Justiça e a polícia não têm conhecimento, mas outros setores podem identificar e orientar essa vítima a procurar ajuda”, explicou.
Ela também reforça que o enfrentamento da violência doméstica não deve recair apenas sobre o poder público. “É uma situação complexa, que exige a mobilização de toda a sociedade. A rede de apoio é essencial, incluindo espaços como igrejas, onde muitas pessoas frequentam e podem receber orientação e incentivo para sair desse ciclo de violência”, pontuou.
Claire ainda destaca a importância de encorajar as vítimas a romper o silêncio. “Não se trata de incentivar a permanência em relações abusivas, mas de apoiar essa mulher a sair desse contexto e denunciar, quando estiver sendo vítima de um crime”, completou.
Os números evidenciam que, apesar da redução pontual em abril, o feminicídio segue como um problema grave e persistente, exigindo atenção contínua das autoridades e da sociedade.
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