R$ 200 MILHÕES 26.03.2026 | 09h47

redacao@gazetadigital.com.br
João Vieira
Um policial militar aposentado está entre os 11 presos durante a Operação Speakeasy, deflagrada na manhã desta quinta-feira (26) pela Polícia Civil de Mato Grosso. A ação tem como objetivo desarticular um esquema de lavagem de dinheiro que movimentou cerca de R$ 200 milhões para lideranças de uma facção criminosa que atua no Estado.
Conforme o delegado Gustavo Belão, titular da Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), o policial, que não teve a identidade confirmada, era responsável pela lavagem de dinheiro da facção.
Ao todo, foram cumpridas 100 ordens judiciais, entre mandados de prisão, buscas e apreensões, bloqueio de contas bancárias e sequestro de bens. As medidas foram executadas de forma simultânea em Cuiabá, Várzea Grande e Pontes e Lacerda, além das cidades de Goiânia (GO) e Barueri (SP).
Entre as ordens judiciais estão 12 mandados de prisão preventiva, 12 de busca e apreensão, 35 sequestros de veículos, 12 suspensões de pessoas jurídicas e 29 bloqueios de contas bancárias. As decisões foram expedidas pela Vara do Juízo das Garantias da Comarca de Cuiabá.
As investigações foram conduzidas pela Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO) e pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) e tiveram início em 2024, após apuração da Delegacia de Campo Verde. Na ocasião, os policiais identificaram um veículo registrado em nome de uma empresa de Várzea Grande que estava sendo utilizado por um líder de facção criminosa.
A partir da identificação, a Polícia Civil descobriu a ligação direta da empresa com o grupo investigado, dando início ao aprofundamento das investigações que resultaram na operação desta quinta-feira.
Com o avanço das investigações, a polícia identificou que os alvos atuavam na lavagem de dinheiro sob comando direto de líderes da facção, inclusive presos ou foragidos. Os investigados mantinham padrão de vida elevado, com carros e imóveis de alto valor, mesmo sem renda formal ou atividade profissional compatível com o patrimônio apresentado.
Segundo a Polícia Civil, o esquema utilizava empresas de fachada, principalmente nos ramos de distribuição de bebidas alcoólicas, comércio de joias e venda de equipamentos eletrônicos, com atuação em Cuiabá, Várzea Grande e Goiânia. A movimentação financeira suspeita é estimada em cerca de R$ 200 milhões entre os anos de 2021 e 2025.
Durante o cumprimento das ordens judiciais, foram apreendidos veículos de luxo, joias, celulares e notebooks. Os suspeitos e materiais recolhidos foram encaminhados para delegacias, onde serão realizados os procedimentos legais.
A operação contou com apoio da Delegacia Regional de Pontes e Lacerda, do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) de São Paulo e das unidades da Draco de Sinop, Goiânia e Campo Grande.
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