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Cuiabá, Segunda-feira 17/08/2026

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DELEGADO NÃO ACREDITA 17.08.2026 | 11h30

PM diz que tentou convencer suspeito de feminicídio a se entregar durante ligação de 8 minutos

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Reprodução

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A Polícia Civil ouviu nesta segunda-feira (17) o subtenente da Polícia Militar, Joarez Candido Silva, que manteve uma conversa de aproximadamente oito minutos com Fabiano Oliveira Borges, conhecido como "Pépi" - de regata na foto -, apontado como suspeito de matar a namorada, Ana Cristina Pacheco Matos, 20, em Cuiabá. Segundo o delegado Bruno Abreu, o policial afirmou em depoimento que tentou convencer o investigado a se entregar, que queria ser "o herói da situação" e até receber uma bonificação pela captura. O delegado não acredita na versão.

 

O contato entre os dois chamou a atenção da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) porque o militar já sabia que Fabiano era procurado pelo feminicídio quando tentou falar com ele. A conversa foi descoberta durante as diligências realizadas na loja do suspeito, a Pépi Cell, no bairro Alvorada, onde os investigadores encontraram um computador ligado e com o WhatsApp Web conectado.

 

Segundo Bruno Abreu, o policial explicou que já conhecia Fabiano porque costumava levar aparelhos celulares para manutenção na assistência técnica do suspeito. Ao ver a divulgação de que “Pépi” era procurado por feminicídio, decidiu entrar em contato com ele.

 

“O policial disse que conhece o suspeito porque ele arruma telefone na assistência dele. Quando ele viu a foto do Pépi, que estava sendo procurado por feminicídio, entrou em contato com ele, mas o suspeito não atendeu”, relatou o delegado.

Ainda conforme o depoimento, aproximadamente 10 minutos depois, Fabiano retornou a ligação. Os dois permaneceram conversando por cerca de 8 minutos. O policial teria afirmado aos investigadores que o objetivo era convencer o suspeito a se entregar.

 

“A versão apresentada pelo policial é de que ele estava tentando fazer o cara se entregar”, explicou Bruno. Apesar da justificativa apresentada pelo militar, o tempo de duração da conversa levantou questionamentos na investigação. Para o delegado, o fato de o suspeito, que acabara de cometer um feminicídio e estava sendo procurado pelas forças de segurança, permanecer por vários minutos ao telefone com um policial merece ser esclarecido.

 

“Agora, um suspeito que acaba de matar a namorada está falando com o policial militar pelo telefone. Eu acho difícil um suspeito ficar 8 minutos com um PM dando essa brecha, se ele não tivesse alguma confiança. Isso dá tempo de você rastrear, identificar e tentar prender”, afirmou Bruno Abreu.

 

O delegado também destacou que Fabiano poderia simplesmente ter encerrado a ligação caso não confiasse na pessoa do outro lado. Para a Polícia Civil, o fato de o suspeito ter retornado a ligação pode indicar que havia algum grau de confiança entre os dois, embora o conteúdo da conversa ainda precise ser esclarecido.

 

“Ele não iria ficar 8 minutos no telefone com um estranho. Se ele não confiasse naquela pessoa, provavelmente não daria essa abertura”, disse o delegado. 

 

Outro ponto analisado pela investigação é o fato de o policial não ter comunicado imediatamente o contato com Fabiano aos superiores. Naquele momento, equipes da Polícia Militar, incluindo integrantes do 9º Batalhão, estavam mobilizadas para localizar o suspeito.

 

“O que me chamou atenção foi ele não comunicar ao superior imediato que estava conversando com o suspeito, enquanto toda a Polícia Militar estava procurando esse homem naquele dia”, afirmou Bruno Abreu. Segundo o delegado, o militar só teria informado sobre a conversa posteriormente, quando descobriu que os investigadores já tinham conhecimento do contato.

 

Apesar dos questionamentos, Bruno Abreu ressaltou que a investigação ainda não concluiu que o policial tenha colaborado com a fuga ou favorecido o suspeito. O objetivo, neste momento, é esclarecer o contexto da ligação, a relação entre os dois e o conteúdo da conversa. Após a oitiva, ele foi liberado.

 

Em nota, a PM reforçou a versão de que o militar conversou com o suspeito na tratativa para ele se entregar. Apontou ainda que a PM está empenhada nas buscas e prisão de Pépi. 

 

O feminicídio

Ana Cristina Pacheco Matos, de 20 anos, foi morta com um tiro na nuca na manhã de sábado (15), em uma quitinete no bairro Alvorada, em Cuiabá. O principal suspeito é Fabiano Oliveira Borges, conhecido como “Pépi”, que está foragido.

 

Segundo as investigações, o disparo atingiu a região da nuca e a munição ficou alojada na altura da coluna vertebral.

Conforme informações repassadas pela equipe médica ao delegado, caso Ana sobrevivesse, poderia ficar tetraplégica em razão da gravidade da lesão.

 

Ana trabalhava com Fabiano e os dois estavam se envolvendo havia cerca de duas semanas. A vítima tinha um ex-marido e um filho de três anos. A Polícia Civil investiga a possibilidade de o crime ter sido motivado por ciúmes, após o suspeito ter tido acesso a conversas no celular da jovem.

 

A criança pode ter presenciado parte do crime. Após o ocorrido, foi encontrada acordada e em estado de choque.

As investigações continuam para localizar Fabiano, esclarecer a motivação do feminicídio e verificar todas as circunstâncias que envolveram o contato entre o suspeito e o policial militar.

 

 

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