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PERICULOSIDADE SOCIAL E MISOGINIA 19.03.2026 | 07h30

Polícia e MP pedem prisão de sindicalista por perseguição e violência de gênero

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Yuri Ramires e Pablo Rodrigo

redacao@gazetadigital.com.br

Victor Ostetti/MidiaNews

Victor Ostetti/MidiaNews

Atualizada às 11h29 - O Ministério Público de Mato Grosso se manifestou favorável ao pedido de prisão preventiva e busca e apreensão domiciliar, feito pela Polícia Civil, contra Antônio Wagner Nicácio de Oliveira, Presidente do Sindicato dos Profissionais da Área Instrumental do Governo (Sinpaig-MT), investigado por crimes de ameaça, violência psicológica e perseguição em contexto de violência de gênero contra Carmem Silvia, presidente da Federação Sindical dos Servidores Públicos do Estado de Mato Grosso (Fessp-MT). Justiça ainda não se manifestou. 

 

Conforme os autos da representação feita pela delegada Judá Maali, da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher, a investigação aponta que o Antônio teria praticado reiterados ataques contra a Carmen, uma líder sindical, por meio de mensagens privadas, grupos de WhatsApp e redes sociais. Segundo o relato, ele utilizava linguagem ofensiva, difamatória e intimidatória, com o objetivo de constranger e desqualificar publicamente a vítima.

 

De acordo com a Polícia Civil, os episódios teriam começado em 2025 e se intensificado ao longo dos meses, incluindo ameaças veladas e exposição pública da vítima em grupos de grande alcance, como fóruns de jornalistas e sindicalistas. A vítima relatou abalo emocional, crises de ansiedade, insônia e necessidade de uso contínuo de medicação.

 

"A natureza das mensagens revela um discurso de desqualificação e inferiorização da mulher em posição de liderança, evidenciando uma motivação misógina e intolerância contra mulheres que exercem autoridade ou representação pública", diz trecho do documento assinado pela delegada. 

 

Para Judá, "o comportamento do suspeito demonstra traços de periculosidade social e misoginia estruturada, típica de agressores que utilizam a exposição pública como instrumento de coerção e destruição moral".

 

Ainda conforme a investigação, o suspeito já responde a outro inquérito por fatos semelhantes, o que, segundo a autoridade policial, demonstra reiteração criminosa. Diante disso, a delegada responsável representou pela prisão preventiva, alegando risco à ordem pública, à integridade psicológica da vítima e à instrução do processo.

 

Já no parecer de Marcelle Rodrigues da Costa Feria, promotora de Justiça da 7ª Promotoria Criminal, foi destacado que há indícios suficientes de autoria e materialidade dos crimes, além de risco concreto de novas infrações caso o investigado permaneça em liberdade. O Ministério Público também apontou que medidas cautelares alternativas seriam insuficientes diante da gravidade das condutas.

 

Além da prisão, foi solicitado mandado de busca e apreensão na residência do investigado. A medida tem como objetivo localizar o suspeito, cumprir eventual ordem de prisão e reunir provas que auxiliem na investigação. Os pedidos são de fevereiro e a decisão final sobre os pedidos cabe ao Poder Judiciário, que ainda não se manifestou.

 

Outro lado

Em nota, a defesa de Antônio informou que o ato se trata de uma perseguição após ele ter denunciado o 'Escândalo dos Consignados'. alegou inocêndia e afirmou que espera que a Justiça 'cumpra o seu papel'. Leia a nota na íntegra:

 

 

"A defesa de Antônio Wagner de Oliveira esclarece que não teve acesso ao processo sigiloso e que ele não foi ouvido no inquérito. O processo deve ser considerado pela imprensa como mais um dos atos de perseguição que ocorrem contra Antônio Wagner por ter denunciado o escândalo dos consignados.

 

Na discussão citada pela suposta vítima, não houve qualquer ataque, foi um debate que ocorreu como sempre ocorre dentro do movimento sindical. A discussão origina-se em críticas, feitas por Antônio Wagner, contra a presidente da Federação por ter contratado advogado que representou uma das empresas envolvidas no escândalo dos consignados.

 

Além disso, Wagner também criticou a falta de transparência na utilização dos recursos da FESSP, razão pela qual foi expulso, sem defesa prévia e sem previsão no estatuto, da diretoria da entidade. É lamentável que um debate tão importante, como a violência contra a mulher, seja utilizado para caluniar, difamar e atacar aqueles que denunciam irregularidades.

 

Esperamos que a Justiça cumpra o seu papel e mostre a inocência do sindicalista, cujo trabalho resultou na investigação de dezenas de empresas e levou a suspensão dos descontos irregulares, aliviando o bolso de milhares de servidores públicos".

 

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Comentários

tata - 19/03/2026

isso é perseguição com o presidente, mesmo porque o mesmo está na luta contra os consignados, então se torna uma pessoa pública. precisa rever tudo isso. pq tá com cara de perseguição politica.

O ATALAIA - 19/03/2026

A pessoa que dirige uma federação,em razão do cargo, vive num ambiente onde está exposta a críticas, ameaças e difamações. Isso exige equilíbrio emocional e maturidade. A justiça existe para garantir direitos, mas para ser acionada por um homem público precisa de um fato relevante. No caso presente não há relevância.

2 comentários

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