PERICULOSIDADE SOCIAL E MISOGINIA 19.03.2026 | 07h30

redacao@gazetadigital.com.br
Victor Ostetti/MidiaNews
O Ministério Público de Mato Grosso se manifestou favorável ao pedido de prisão preventiva e busca e apreensão domiciliar, feito pela Polícia Civil, contra Antônio Wagner Nicácio de Oliveira, Presidente do Sindicato dos Profissionais da Área Instrumental do Governo (Sinpaig-MT), investigado por crimes de ameaça, violência psicológica e perseguição em contexto de violência de gênero contra Carmem Silvia, presidente da Federação Sindical dos Servidores Públicos do Estado de Mato Grosso (Fessp-MT). Justiça ainda não se manifestou.
Conforme os autos da representação feita pela delegada Judá Maali, da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher, a investigação aponta que o Antônio teria praticado reiterados ataques contra a Carmen, uma líder sindical, por meio de mensagens privadas, grupos de WhatsApp e redes sociais. Segundo o relato, ele utilizava linguagem ofensiva, difamatória e intimidatória, com o objetivo de constranger e desqualificar publicamente a vítima.
De acordo com a Polícia Civil, os episódios teriam começado em 2025 e se intensificado ao longo dos meses, incluindo ameaças veladas e exposição pública da vítima em grupos de grande alcance, como fóruns de jornalistas e sindicalistas. A vítima relatou abalo emocional, crises de ansiedade, insônia e necessidade de uso contínuo de medicação.
"A natureza das mensagens revela um discurso de desqualificação e inferiorização da mulher em posição de liderança, evidenciando uma motivação misógina e intolerância contra mulheres que exercem autoridade ou representação pública", diz trecho do documento assinado pela delegada.
Para Judá, "o comportamento do suspeito demonstra traços de periculosidade social e misoginia estruturada, típica de agressores que utilizam a exposição pública como instrumento de coerção e destruição moral".
Ainda conforme a investigação, o suspeito já responde a outro inquérito por fatos semelhantes, o que, segundo a autoridade policial, demonstra reiteração criminosa. Diante disso, a delegada responsável representou pela prisão preventiva, alegando risco à ordem pública, à integridade psicológica da vítima e à instrução do processo.
Já no parecer de Marcelle Rodrigues da Costa Feria, promotora de Justiça da 7ª Promotoria Criminal, foi destacado que há indícios suficientes de autoria e materialidade dos crimes, além de risco concreto de novas infrações caso o investigado permaneça em liberdade. O Ministério Público também apontou que medidas cautelares alternativas seriam insuficientes diante da gravidade das condutas.
Além da prisão, foi solicitado mandado de busca e apreensão na residência do investigado. A medida tem como objetivo localizar o suspeito, cumprir eventual ordem de prisão e reunir provas que auxiliem na investigação. Os pedidos são de fevereiro e a decisão final sobre os pedidos cabe ao Poder Judiciário, que ainda não se manifestou.
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