SINDICÂNCIA DEMISSÓRIA 27.08.2026 | 14h25

redacao@gazetadigital.com.br
Reprodução
Um soldado do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso denunciou ter sido humilhado publicamente durante o curso de formação em Cuiabá. Ele também afirma que passou a ser perseguido dentro da corporação e agora responde a uma sindicância que pode resultar em sua demissão. O boletim de ocorrência sobre as irregularidades foi registrado no mês passado.
Segundo o relato, o episódio ocorreu em 30 de julho, durante solenidade matinal na ESFAPE Bravo 3, no Distrito Industrial, em Cuiabá. Conforme o boletim de ocorrência registrado na Polícia Civil, antes do hasteamento da bandeira, ele teria sido obrigado a se apresentar como "Primeiro Tenente", usando insígnias de papelão grampeadas no ombro e um cabo de vassoura como símbolo de posto. A cena foi registrada em fotos e vídeos que posteriormente circularam em grupos de WhatsApp, inclusive oficiais.
O militar também afirma ter sido alvo de xingamentos, castigos físicos, perseguição e assédio moral após reclamar da situação.
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Ele sustenta ainda que foi transferido e excluído do curso como forma de retaliação após denunciar os envolvidos. O soldado atualmente responde a uma Sindicância Demissória.
Ainda conforme a denúncia, após reclamar da situação com a coordenação, ele foi exposto a novas humilhações, como ter que pagar flexões enquanto outros riam.
O bombeiro também relatou que, após uma nova tentativa de denunciar a situação, foi excluído do curso, transferido de forma irregular e com desvio de finalidade, além de ser retirado dos grupos oficiais de comunicação como forma de retaliação.
Em documento encaminhado à Corregedoria-Geral do Corpo de Bombeiros, o militar reforçou as acusações e afirmou que mantinha frequência regular nas aulas do curso, deixando de comparecer somente após ser notificado para permanecer à disposição da Diretoria de Ensino e Instrução (DEIP), em 20 de julho de 2026.
Segundo ele, após a determinação, passou a ser colocado em serviços braçais e teria sido submetido a uma caminhada diária de aproximadamente 14 quilômetros até outro batalhão. O soldado afirma ainda que, mesmo após registrar as atividades no sistema Sigadoc, foi direcionado ao BM-10 para executar trabalhos repetitivos, mantendo a exigência de cumprir o mesmo trajeto.
Na manifestação, ele sustenta que eventuais problemas relacionados à carga horária e à transferência decorreram de erros administrativos e não poderiam ser atribuídos a ele. Também afirma que foi retirado das aulas e dos grupos oficiais do curso sem direito de defesa e que a sindicância demissória seria uma forma de retaliação após as denúncias de perseguição, assédio moral e exposição vexatória.
O militar ainda questiona a condução da sindicância e afirma que pessoas apontadas por ele como envolvidas nas agressões teriam participado do procedimento.
O soldado passou a ser alvo de uma Sindicância Demissória instaurada contra ele. A oitiva, que estava marcada para 25 de agosto, foi redesignada para esta quinta-feira (27), às 9h, no Comando-Geral do Corpo de Bombeiros, em Cuiabá.
Outro lado
Procurada pela reportagem, a assessoria do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso solicitou os dados pessoais do soldado. Resguardando o direito ao sigilo da fonte, previsto na Constituição Federal, a solicitação foi negada. Até o momento, o Corpo de Bombeiros não se manifestou sobre o caso. O espaço segue aberto.
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