APÓS MORTE de paciente 01.06.2026 | 14h29

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Victor Ostetti/MidiaNews
Embora negue ter assassinado o paciente Alessandro Sidinei Braga, 38, Odiley Rodrigues de Souza, 42, do Centro Terapêutico Pró-Vida, preso pela Polícia Civil, a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) aponta que há indícios de que ele participou diretamente da morte da vítima.
Em entrevista à imprensa, o delegado Michel Paes afirmou que o suspeito admitiu ter realizado a contenção da vítima, mas negou qualquer intenção de matar, também negou ter dado um "mata-leão". Apesar disso, segundo o investigador, os depoimentos colhidos ao longo da apuração revelam que o método empregado seria recorrente na unidade.
"Durante as entrevistas, ficou muito claro que o método utilizado por ele na clínica é esse tipo de contenção. As pessoas que ouvimos relataram que isso era normal", afirmou o delegado.
Conforme a investigação, testemunhas relataram que o funcionário costumava aplicar golpes de estrangulamento para imobilizar pacientes em surto. Paes destacou que, embora o próprio suspeito tenha reconhecido em interrogatório que os funcionários não possuem autorização para esse tipo de procedimento, os relatos apontam que a prática era adotada na rotina da clínica.
"Ele fala no interrogatório que eles não são autorizados a fazer isso. Com certeza eu sei que não são. Mas que é feito, é", declarou. Para o delegado, os elementos reunidos até o momento são suficientes para atribuir ao suspeito a autoria do homicídio, independentemente do resultado final dos exames periciais.
"Essa própria afirmação dele, somada aos elementos jurídicos que nós temos, é suficiente para confirmar que ele é o autor desse homicídio", disse.
Paes explicou ainda que, além da possível execução direta da ação, o funcionário ocupava posição de responsabilidade sobre os internos da clínica. Segundo o delegado, o próprio investigado afirmou ser o plantonista responsável pelos pacientes durante o período em que Alessandro morreu.
"Ele é o garantidor dessas pessoas. São pessoas em situação de vulnerabilidade e ele tinha o dever de protegê-las", ressaltou.
A investigação apurou que Alessandro foi amarrado com os braços para trás e deixado no chão após apresentar um surto. O quarto em que ele permaneceu era coletivo e abrigava diversos pacientes com transtornos mentais graves, principalmente esquizofrenia.
De acordo com Paes, mesmo que outra pessoa tivesse participado da agressão, o funcionário continuaria tendo responsabilidade criminal pelos fatos em razão da função exercida e da participação na contenção.
"Se alguém tivesse praticado isso, ainda assim ele seria autor pela figura do garantidor e também pela participação, porque ele amarrou a pessoa e facilitou toda a ação", explicou.
Apesar dessa hipótese, o delegado ressaltou que a principal linha de investigação aponta que o próprio funcionário tenha praticado a ação que resultou na morte do paciente. "A primeira linha da investigação é que foi ele mesmo", afirmou.
Paes ponderou que ainda é cedo para concluir se houve intenção de matar ou se a morte ocorreu em razão do excesso de força empregado durante a contenção. A definição dependerá dos laudos periciais que ainda serão concluídos.
"Pode ser que ele não tenha praticado a ação com a intenção de matar. Pode ser que ele só tenha percebido a violência da própria ação pela manhã. Isso ainda vai depender dos laudos, do horário da morte e de outros elementos técnicos que estamos aguardando", concluiu.
Crime
Alessandro Sidinei Braga, 38, foi encontrado morto na manhã deste domingo (31) em uma clínica terapêutica localizada no bairro Jardim Primavera, em Cuiabá. Inicialmente, a ocorrência era de suicídio, porém, durante a investigação, a polícia descobriu que se tratava de um homicídio. Polícia prendeu o suspeito do crime.
De acordo com informações da Polícia Militar, a equipe foi acionada pelo Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp) por volta das 7h58 para atender a ocorrência.
No local, os policiais constataram que se tratava do Centro Terapêutico Pró-Vida, instituição voltada ao atendimento de dependentes químicos e pessoas diagnosticadas com esquizofrenia, que abriga cerca de 42 internos.
Segundo relatos colhidos pela polícia, Alessandro realizava tratamento para controle da esquizofrenia. No sábado (30), ele teria apresentado um surto psicótico, situação que exigiu contenção física e administração de medicamentos controlados para estabilização do quadro.
Testemunhas informaram que, durante a contenção, as mãos do paciente foram amarradas e somente liberadas após ele apresentar comportamento considerado colaborativo.
Os responsáveis pela clínica relataram aos policiais que, ao amanhecer, outros internos perceberam que Alessandro estava sem sinais vitais. Conforme a versão apresentada, ao entrarem no quarto onde ele dormia, encontraram a vítima já morta, com uma corda enrolada no pescoço.
A Polícia Militar informou que a Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) esteve no local e, durante a análise da cena, identificou divergências entre os vestígios observados e as informações inicialmente repassadas pelos responsáveis pela instituição.
Com a investigação, foi descoberto que um ex-interno, que atualmente trabalha no local, tentou conter a vítima. Durante a ação, ela acabou morrendo. A princípio, não há indícios de que o autor tenha agido com a intenção de matar.
No entanto, com receio de ser responsabilizado pela morte, o suspeito teria alterado a cena do ocorrido para simular um suicídio por enforcamento. A suposta fraude foi identificada durante os trabalhos periciais, o que levou à mudança da linha investigativa e à prisão do envolvido.
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