'ELES NÃO QUEREM INVESTIGAR' 22.07.2026 | 18h02

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Câmara Municipal/Fred Moraes
O prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), posicionou-se contra a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Assédio na Câmara Municipal. A comissão foi articulada por parlamentares da oposição, com destaque para a vereadora Maria Avalone (PSDB), para apurar denúncias de assédio moral e sexual atribuídas ao ex-secretário municipal William Leite de Campos.
Apesar da mobilização, a proposta teve o pedido oficialmente indeferido pela Mesa Diretora e pela Procuradoria da Casa na terça-feira (21), sob a justificativa de entraves regimentais e da ocupação da vaga por outra comissão voltada para a área da educação.
Para Abílio, o pedido de CPI é uma tentativa de prolongar o tema no debate público sem necessidade prática, argumentando que a Câmara e as autoridades policiais já ouviram os envolvidos. Para o gestor, continuar a discussão atende apenas a interesses políticos.
“Qual foi a orientação da delegada? Não transforme isso num picadeiro político. A investigação está sendo feita pela polícia. Agora, o que elas querem? Ficar remoendo essa história quatro, cinco, seis, sete vezes”, declarou Abílio.
Para sustentar a tese de politicagem na Casa, o prefeito criticou a atuação da Procuradoria da Mulher do Legislativo em um episódio na EMEB Lagoa do Poção, acusando o órgão de tentar “coagir” uma diretora em um desentendimento administrativo. Além disso, negou qualquer interferência do Palácio Alencastro para barrar a CPI.
“Cara, eu perdi no voto até da LDO. Como é que eu vou conseguir barrar uma CPI aqui? Eles têm a maioria dos votos. O que acontece é que essas pessoas estão querendo jogar para mim a culpa da incompetência política e administrativa delas”, concluiu.
Em contrapartida, a vereadora Maria Avalone demonstrou indignação com a decisão. A parlamentar rebateu alegações de que sua equipe jurídica teria falhado no rito burocrático de protocolo e acusou o Legislativo de criar pretextos formais para inviabilizar a apuração.
“Foi indeferida a nossa CPI, mas nós não vamos parar de lutar. Eu acho muito estranho estarmos na Câmara, onde uma mulher foi vítima de assédio, e ver que a Casa realmente não quer aceitar uma CPI sobre o caso de uma servidora que denunciou. Eu fico envergonhada”, desabafou.
Questionada sobre a disputa pelo horário do protocolo em relação a outras comissões, Avalone garantiu que sua assessoria agiu dentro do prazo e apontou falta de vontade política da Casa, ressaltando que apenas quatro das oito vereadoras assinaram o requerimento.
“Nós entramos no horário certo. A minha equipe jurídica não errou. O que dá para entender é que eles não querem investigar. A servidora pediu para que a Câmara investigasse, porque sabia que, com uma CPI, se sentiria mais protegida”, pontuou.
Para tentar contornar a barreira regimental no futuro, Maria Avalone reforçou que apresentou um Projeto de Resolução para alterar os critérios de prioridade na abertura de CPIs, garantindo preferência para investigações de violência e assédio contra mulheres, crianças, idosos e vulneráveis.
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