GUERRA IDEOLÓGICA 27.10.2026 | 18h15

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Fred Moraes
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), ironizou os eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao sugerir que petistas peçam demissão caso não queiram trabalhar para patrões bolsonaristas. Apesar de afirmar ser contra a demissão de funcionários por preferência política, o prefeito disse que trabalhar para um apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) seria “muito opressor”. Já a vereadora e primeira-dama de Cuiabá, Samantha Íris (PL), minimizou a possibilidade de boicotes e afirmou acreditar que pessoas de direita dificilmente deixariam de ajudar alguém por divergências políticas.
As declarações foram dadas em meio à repercussão de mobilizações de empresários e apoiadores da direita contra comerciantes e trabalhadores identificados com o PT após o resultado das eleições presidenciais.
Questionado sobre a defesa feita pelo vereador Ranalli (PL) de que empresários teriam liberdade para demitir funcionários que votaram em Lula, Abilio disse não concordar com a medida, mas ironizou a situação dos trabalhadores petistas.
“Eu não acho que a gente deve iniciar uma caça às bruxas dessa forma, não. Eu não acho que a gente deve fazer isso. E eu não acho que a gente tem que sair mandando embora o pessoal que votou no Lula. Não sou a favor disso”, afirmou.
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Na sequência, o prefeito sugeriu que os trabalhadores petistas peçam demissão para evitar o que chamou de ambiente opressor sob chefes bolsonaristas.
“Eu acho que o pessoal que votou no Lula tem que pedir demissão porque é muito opressor trabalhar com um bolsonarista. Então, para que ele não fique sofrendo, trabalhando num ambiente de trabalho que o chefe é um bolsonarista, eu acho que o pessoal que votou no Lula tem que pedir demissão para poder ter uma vida mais tranquila, curtir a escala zero por zero, sem precisar trabalhar todos os dias da semana”, ironizou.
Abilio continuou com as ironias ao afirmar que os eleitores de Lula deveriam procurar empresas alinhadas às próprias ideias.
“Então o pessoal que votou no Lula, que trabalha com um bolsonarista, peça demissão porque é muito opressor trabalhar com um fascista, uma pessoa que prega atos antidemocráticos e tudo mais, e busca trabalhar numa empresa que prega as mesmas liberdades de trabalhar três dias, quatro dias da semana e tudo mais. Porque os bolsonaristas não são bons chefes, não são bons patrões”, disse.
A primeira-dama de Cuiabá, Samantha Íris, por sua vez, comentou a mobilização contra pessoas que votaram em Lula e afirmou que o cenário ainda é marcado pelo calor das eleições. Para ela, é difícil que conservadores adotem medidas extremas contra quem pensa diferente politicamente.
“A gente vive num momento onde as pessoas ainda estão com os ânimos sendo exaltados, no calor da emoção da situação da eleição, mas no fundo eu acredito que o pessoal da direita dificilmente vai tomar ações drásticas como essa”, afirmou.
A vereadora também associou a atuação da direita à caridade e aos valores cristãos, argumentando que a divergência política dificilmente impediria alguém de ajudar uma pessoa em necessidade.
“Então, no final das contas quem realmente movimenta o Brasil é a direita, são as pessoas que têm princípios, valores e que gostam de ajudar o próximo”, declarou.
Samantha disse considerar improvável que uma pessoa de direita deixasse de prestar ajuda por causa da posição política de alguém.
Mobilização em Lucas do Rio Verde
A discussão ganhou força após integrantes de grupos de WhatsApp em Lucas do Rio Verde, a 354 km de Cuiabá, organizarem uma mobilização para boicotar estabelecimentos comerciais cujos proprietários teriam declarado voto ou comemorado a vitória de Lula.
Mensagens obtidas pelo GD mostram participantes defendendo a criação de listas de comerciantes identificados com a esquerda, além de demissões e restrições à contratação de apoiadores do PT. Também foram registradas mensagens com incitação à violência política e propostas para impedir a entrada de ônibus com trabalhadores migrantes na cidade.
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