MESA DA CÂMARA 01.10.2026 | 08h12

pablo@gazetadigital.com.br
Reprodução Emanoele Daiane
Depois de ver naufragar as duas principais investidas para manter o controle da presidência da Câmara de Cuiabá, o prefeito Abilio Brunini (PL) autorizou sua base aliada a procurar o vereador Ilde Taques (Pode) em busca de uma composição para a eleição da Mesa Diretora, marcada para 6 de outubro.
A movimentação ocorre depois de Ilde consolidar uma bancada de 15 vereadores, um voto além dos 14 necessários para eleger a presidência.
A orientação de Abilio foi transmitida aos vereadores Kássio Coelho (Podemos), Marcus Brito Júnior (Podemos) e Rafael Ranalli (PL), que receberam autorização para conversar com Ilde sobre uma eventual composição.
A negociação, segundo interlocutores, tem como objetivo não apenas a eleição da Mesa, mas a recomposição da base governista na Câmara, onde o prefeito passou a enfrentar dificuldades para aprovar projetos de interesse da administração.
A mudança representa uma guinada na estratégia adotada pelo prefeito ao longo dos últimos meses. Inicialmente, Abilio havia escolhido apoiar a reeleição da atual presidente da Câmara, Paula Calil (PL), mesmo depois de Dilemário Alencar (União), então líder do prefeito no Legislativo, ter colocado seu nome na disputa.
Dilemário deixou a liderança do Executivo na Câmara justamente após Abílio declarar apoio a Paula. Na ocasião, o prefeito chegou a anunciar que trabalharia pela permanência da presidente no cargo.
A tentativa, porém, dependia de uma alteração no Regimento Interno, já que a regra vigente impedia a recondução de Paula.
A ofensiva ganhou novo capítulo na semana passada, quando a Justiça autorizou que a mudança do Regimento fosse apreciada por maioria simples, reduzindo de 18 para 14 o número de votos necessários. A decisão abriu caminho jurídico para a tentativa de reeleição.
Na prática, porém, o grupo governista não conseguiu reunir os votos e decidiu retirar a proposta da pauta. Paula reconheceu o desgaste interno e afirmou que não queria mais insistir na mudança.
Com a retirada da candidatura de Paula, o grupo ligado ao prefeito passou a trabalhar pelo nome de Dilemário. A articulação, contudo, também perdeu força. O bloco chegou a contabilizar 13 vereadores, número insuficiente para garantir a eleição.
A dificuldade aumentou com a decisão do vereador Antônio Lemes (PSD) de abandonar o grupo. Lemes havia participado de uma fotografia com os aliados de Paula e chegou a sinalizar apoio à composição governista. Depois, porém, decidiu cumprir o compromisso político assumido anteriormente com seu grupo, que defendia Ilde Taques.
Lemes ocupa temporariamente a cadeira de Jeferson Siqueira (PSD), que está de licença. Segundo a justificativa apresentada pelo próprio vereador, sua decisão de permanecer com Ilde levou em consideração o compromisso firmado com a base de Siqueira. A mudança retirou do grupo governista um voto que poderia ser decisivo na tentativa de alcançar os 14 necessários.
A força da candidatura de Ilde já havia provocado outras baixas na articulação governista. A vereadora Baixinha Giraldelli (SD), que mantinha relação política de longa data com Dilemário, rompeu com o grupo e declarou apoio a Ilde.
A mudança de estratégia coloca Abilio diante de uma situação distinta daquela apresentada pelo prefeito semanas atrás. Em setembro, ele havia declarado que uma eventual vitória de Ilde poderia prejudicar sua administração porque o grupo reunido em torno do vereador era formado majoritariamente por oposicionistas.
Agora, diante da consolidação da candidatura de Ilde, o Executivo passou a admitir uma negociação com o próprio grupo que antes identificava como adversário.
A tentativa de composição também tem uma dimensão pragmática. Com dificuldades para controlar a eleição da Mesa, Abilio busca ao menos reconstruir uma relação funcional com o futuro comando da Câmara. O objetivo é evitar que a perda da disputa pelo comando do Legislativo se transforme em uma base parlamentar ainda mais instável para o restante do mandato.
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