AINDA CULPOU A IMPRENSA 08.10.2026 | 10h20

redacao@gazetadigital.com.br
Reprodução
Após provocar indignação nas redes sociais por ter compartilhado uma imagem do mapa do Brasil com a cabeça de um jumento sobreposta à região Nordeste, o vereador de Cuiabá Rafael Ranalli (PL) gravou um vídeo ao lado de um apoiador trajando adereços da cultura sertaneja nordestina em uma tentativa de conter a repercussão negativa e afastar acusações de xenofobia.
O episódio começou quando o parlamentar repostou o ‘meme’ em suas redes sociais logo após a apuração das eleições. Diante das reações e da possibilidade de abertura de investigações por crime de ódio e preconceito regional por instâncias do Ministério Público, Ranalli apagou a publicação, mas gravou novo conteúdo para se defender.
Surgindo em vídeo ao lado de um eleitor do nordeste, o parlamentar alegou que a publicação tinha cunho estritamente eleitoral em razão do desempenho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos estados da região. "Em momento algum eu tentei atingir os meus irmãos nordestinos. [...] O que eu critiquei e critico, sim, é a forma de votação, o lado que escolhem. Foi uma crítica política, estritamente política", afirmou o vereador no novo vídeo publicado.
Para embasamento de sua defesa, Ranalli utilizou o argumento de que mantém relações profissionais e pessoais com pessoas de origem nordestina e ressaltou sua própria condição de migrante no Mato Grosso. "Tenho muitos amigos, parceiros, colegas da Polícia Federal que são antigões e nordestinos", declarou. "Como eu seria um cara contra, um forasteiro, se eu sou o forasteiro aqui no Mato Grosso, em Cuiabá? Sou paranaense com muito orgulho".
Defesa e ataque à imprensa
Em coletiva de imprensa, o vereador minimizou o uso da figura do jumento ao equipará-la aos rótulos pejorativos habitualmente direcionados aos simpatizantes do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). "No Brasil, a galera da direita é conhecida como 'gado' e a galera da esquerda é conhecida como 'jumento', sem depreciação. É bate-papo de mesa de bar, de qualquer lugar, de rede social", defendeu-se o parlamentar, argumentando que a associação faz parte da retórica do debate político nacional.
Ranalli também direcionou críticas à cobertura jornalística, atribuindo a repercussão a veículos de imprensa regionais que, segundo ele, atuam com motivações político-partidárias para prejudicá-lo. Também citou que os veículos de comunicação não dão destaque aos seus projetos na Câmara. O parlamentar relatou ainda ter sido alvo de intimidações após a exposição do caso.
"Hoje postaram lá, me mandaram mensagem que vão me degolar, que eu mereço... Porque me falaram que vão me degolar e eu tenho criança pequena", disse.
A postagem promovida por Rafael Ranalli ocorreu no contexto pós-eleitoral, quando o Partido dos Trabalhadores (PT) consolidou vitória sobre a candidatura do PL em todos os nove estados do Nordeste. A publicação da imagem do animal sobreposta ao território nordestino gerou forte reação de leitores e entidades locais, que interpretaram o ato como estigmatização territorial.
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