CPI para apurar assédio 21.02.2026 | 11h00

fred.moraes@gazetadigital.com.br
Allan Mesquita/ GD
Nesta semana, o comunicado do vereador por Cuiabá, Daniel Monteiro (Republicanos), quanto à disposição da vítima do suposto assédio sexual cometido pelo ex-secretário de Trabalho em Cuiabá, William Leite, surpreendeu e movimentou a Câmara de Vereadores. A crise, que se estende há cerca de duas semanas, ganhou um novo e decisivo capítulo: a ex-servidora não apenas quer que a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) seja aberta, como também está disposta a se manifestar.
Até então, parte dos vereadores da base alegava que a instalação da CPI poderia expor a vítima e causar revitimização. Agora, com a manifestação incisiva da própria denunciante, o argumento perde força e transforma a discussão em um teste direto de coerência e responsabilidade política.
Em entrevista ao
, Daniel Monteiro, autor do pedido de investigação, afirmou que teve conversas com a vítima, que, encorajada pela repercussão pública do caso, expressou o desejo de acompanhar a CPI aberta e sua participação nas oitivas.
Leia também - Retirada de assinaturas de CPI será analisada na próxima semana
“Quando protocolei a comissão, eu estava me baseando exclusivamente naquele vídeo do prefeito do dia 9 de janeiro. No dia seguinte, uma advogada me procurou dizendo que uma cliente viu que o seu algoz estava sendo denunciado e, a partir disso, tomou coragem para falar. Ela disse que quer a CPI aberta. Quer falar porque não deseja que isso aconteça com outras mulheres”, afirmou o parlamentar.
Daniel informou ao
que ouviu o relato completo da vítima e identificou “muita verossimilhança” nas informações apresentadas. Ele lembra que, até o momento, baseava a CPI nas supostas irregularidades apresentadas ao Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), que não foram expostas à imprensa, mas após a conversa incrementou no escopo da denúncia, citando elementos suficientes.
“Em contato comigo, relatou todo o fato, eu vi que havia muita verossimilhança no fato relatado por ela. Eu entendi e eu vi que de fato se tratava de uma pessoa que estava falando a verdade. Lá na frente, se for preciso, eu tenho todo o conteúdo. Nesse itinerário, eu protocolei a comissão parlamentar de inquérito já alterada no seu escopo”, emendou.
O vereador afirma que possui um áudio de aproximadamente quatro minutos no qual a vítima manifesta, de forma explícita, o desejo de que a comissão seja instaurada.
Daniel disse que pediu autorização da denunciante para compartilhar seu contato com a presidente da Casa, vereadora Paula Calil (PL), que entrou em contato para prestar solidariedade.
Com a autorização da denunciante, o vereador enxerga que o argumento de que a investigação poderia expor a vítima perde força.
“Não tem nenhum irresponsável na Câmara que vá expor vítima de assédio”, disparou.
Monteiro explica que vai aguardar o trâmite regimental das outras cinco CPIs protocoladas na Casa antes de tomar uma nova iniciativa formal. Segundo ele, embora as comissões tenham obtido assinaturas suficientes, ainda precisam passar pela análise jurídica para serem efetivamente instaladas.
Caso alguma das CPIs não prospere ou surja espaço regimental para uma nova comissão, pretende reapresentar sua proposta e buscar as duas assinaturas restantes para alcançar o número mínimo necessário.
Atualmente, a CPI conta com sete assinaturas, são necessárias nove para a abertura formal. Paralelamente, cinco outras CPIs foram protocoladas na Casa, movimento que gerou questionamentos nos bastidores e ampliou o embate. “Eu não vou recuar. Se houver possibilidade regimental, a CPI vai avançar”.
O parlamentar também citou a tramitação do projeto de resolução que amplia o número de CPIs simultâneas na Câmara, de autoria da vereadora Maria Avallone (PSDB). Se a mudança for aprovada, a comissão que trata das denúncias contra o ex-secretário poderá ser instalada independentemente do desfecho das demais.
“Estamos acompanhando o andamento. Se todas forem abertas e houver alteração no regimento, teremos caminho. Se alguma cair, também teremos espaço. O importante é que a investigação aconteça”, concluiu.
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