DEU EM A GAZETA 11.09.2026 | 06h53

pablo@gazetadigital.com.br
João Vieira
Empresários e produtores rurais com negócios, contratos ou benefícios tributários relacionados ao governo de Mato Grosso estão entre os principais financiadores da campanha do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) à reeleição, conforme levantamento feito por A Gazeta, que levou em consideração doações de no mínimo R$ 50 mil. Entre os financiadores também há nomes que aparecem em autos ambientais e investigações judiciais.
O caso mais expressivo é o de Osmar Ribeiro de Mello, que destinou R$ 100 mil à candidatura e possui autos no Ibama que somam cerca de R$ 2 milhões. Até o momento, Pivetta declarou R $ 4.874.520 em receitas e R$ 1.238.774,07 em despesas.
Os números constam na prestação de contas feita à Justiça Eleitoral. Do total arrecadado, R$ 3 milhões vieram das direções nacionais do Cidadania e do União Brasil, enquanto R$ 1.374.520 foram registrados de pessoas físicas e R$ 500 mil de recursos próprios do candidato. Entre as pessoas físicas, os 4 maiores doadores são Orcival Gouveia Guimarães, Romeu Froelich, Carlos Ivan Missel Biancon e Adecrescio Pedro de Aguiar.
Juntos, eles colocaram R$ 1.054.020 na campanha. Guimarães, o maior doador individual, repassou R$ 350 mil. Ele é sócio-administrador da Guimarães Agrícola, empresa que, segundo documento da Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf), forneceu 71 tratores agrícolas novos ao governo de Mato Grosso. Guimarães também atua no agronegócio e aparece ligado à produção de bioinsumos. Seu nome consta ainda em processos judiciais relacionados à atividade rural, inclusive discussão sobre recuperação judicial. O segundo maior doador é Romeu Froelich, com R$ 300 mil.
Produtor rural e empresário ligado ao agronegócio, ele aparece em registros da Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz) associados a programas de incentivo e tratamentos tributários. Froelich aparece no Programa de Desenvolvimento Rural de Mato Grosso (Proder) em operação de saída interestadual de girassol. Registros também mostram seu nome relacionado ao Proder para saída interestadual de feijão e a operações de importação pelo Porto Seco. Ele também aparece em inscrições vinculadas ao Proalmat, programa de incentivo à cadeia produtiva do algodão. Carlos Ivan Missel Biancon aparece na terceira posição, com contribuição de R$ 204.020.
Empresário ligado à área de engenharia e a atividades técnicas, ele também possui registros empresariais relacionados ao setor agrocomercial. O quarto maior doador é Adecrescio Pedro de Aguiar, que fez duas contribuições de R$ 100 mil, totalizando R$ 200 mil. O nome dele também aparece em registros da Sefaz.
Em publicação oficial de 2021, Adecrescio consta como beneficiário de diferimento do diferencial de alíquotas na aquisição de bens destinados ao ativo imobilizado e no Proder em operação envolvendo saída interestadual de feijão.
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