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DEU EM A GAZETA 06.08.2026 | 08h12

Russi se agarra ‘ao que sobrou’; de Podemos a 'pudemos'

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Fred Moraes

Fred Moraes

Antes de migrar para o Podemos, no fim da janela partidária deste ano, o presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Max Russi, imaginava chegar ao período das convenções como um dos principais fiadores da disputa pelo Palácio Paiaguás. Levou consigo mais de 30 prefeitos, centenas de vereadores, quatro parlamentares estaduais e um deputado federal, consolidando uma das maiores estruturas partidárias do Estado. Quatro meses depois, porém, encerrou o processo eleitoral, ocupando um espaço bem menor do que esperava na construção da chapa governista.

 

O desfecho das negociações consolidou o protagonismo do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) e do ex-governador Mauro Mendes (União), que conduziram pessoalmente a montagem da chapa majoritária e limitaram a participação do Podemos às posições secundárias. Sem conseguir emplacar um nome para a vice-governadoria, nem conquistar uma das vagas ao Senado ou a primeira suplência, Russi aceitou permanecer na aliança governista ocupando a segunda suplência de Mauro Mendes, preservando sua permanência no grupo político.

 

Nos bastidores, o sentimento das bases e filiados é de amargor e desprestígio, traduzido no trocadilho que já circula entre aliados de que o partido ‘entrou Podemos e saiu Pudemos’. A frustração é diretamente proporcional ao tamanho da força que Russi acumulou nos últimos quatro anos.

 

A expectativa não era considerada desproporcional dentro da própria legenda. Russi chegou ao Podemos respaldado por uma sequência de vitórias eleitorais construída ao longo dos últimos quatro anos. Ainda no PSB, comandou a eleição de quatro deputados estaduais em 2022, consolidando uma das maiores bancadas da Assembleia e ampliando sua influência no governo Mauro Mendes, indicando Allan Kardec para comandar a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Seciteci).

 

Paralelamente, consolidou sua posição como um dos principais articuladores do Parlamento estadual. Primeiro-secretário durante a gestão compartilhada com Eduardo Botelho e Janaina Riva, foi eleito presidente da Assembleia Legislativa para o biênio 2025- 2026, ampliando ainda mais seu peso político. Nas eleições municipais de 2024, o grupo liderado por Russi voltou a demonstrar força.

 

O então PSB elegeu quatro vereadores em Cuiabá e terminou como o partido mais votado da capital para a Câmara Municipal, além de conquistar dezenas de prefeituras e ampliar sua presença em diversas regiões do Estado. Posteriormente, seu grupo também articulou a eleição do vereador Kassio Coelho para a presidência da União das Câmaras Municipais de Mato Grosso (UCMMAT), reforçando sua influência sobre as bases municipais.

 

DESCOMPASSO

Confiante em seu cacife eleitoral, Russi esperava ser cortejado pelo grupo governista. O Palácio Paiaguás, contudo, adotou um tom duro diante do ensaio de uma candidatura própria da legenda ao governo estadual. Em declarações públicas que explicitaram o descompasso entre os aliados, o ex-governador Mauro Mendes não escondeu o incômodo com as pretensões do parlamentar e minimizou seu histórico de mais de duas décadas na vida pública, que inclui passagens como vereador, prefeito e secretário de Estado.

 

‘Ao ensaiar uma candidatura própria, ele constrangeu o nosso grupo. Max Russi é uma liderança emergente no cenário estadual”, disse Mauro. Além do desgaste público, o grupo de Pivetta e Mendes acenou com a possibilidade de retaliação direta no reduto onde Russi exerce maior poder: o comando da Assembleia Legislativa. Integrantes da base governista passaram a vincular uma eventual reeleição de Russi ao comando da Assembleia Legislativa à manutenção de sua aliança com o Palácio Paiaguás. Embora nenhuma condição tenha sido formalizada publicamente, interlocutores das negociações afirmam que a preservação da unidade política foi considerada estratégica para evitar desgastes futuros dentro do Parlamento.

 

Ao final das convenções, o Podemos permaneceu no principal palanque governista, mas com participação semelhante à de partidos com estruturas significativamente menores, como PP, PSDB e Cidadania. Para dirigentes da legenda, o contraste entre a musculatura política construída por Russi nos últimos anos e o espaço reservado ao partido na chapa majoritária tornouse inevitável.

 

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