'CASA DOS HORRORES' 09.07.2026 | 16h00

laisa@gazetadigital.com.br
Montagem GD
A sessão da Câmara de Cuiabá transformou-se em um cenário de caos, gritaria e acusações mútuas na manhã desta quinta-feira (09). O estopim do desentendimento foi a disputa política em torno da instalação de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) voltadas à educação, que acabou em uma troca de farpas entre os vereadores Maysa Leão (Republicanos) e Demilson Nogueira (PP). O clima esquentou de vez quando a presidente da Casa, Paula Calil (PL), negou o direito de resposta a Maysa, provocando a revolta da parlamentar e a paralisação temporária dos trabalhos.
A discussão começou quando a vereadora Maysa Leão subiu à tribuna para criticar a suspensão da CPI do Estacionamento Rotativo, liderada pelo vereador Eduardo Magalhães (Republicanos), e a subsequente “correria” nos bastidores para o protocolo de novas investigações. Segundo Maysa, logo após o encerramento do prazo da comissão anterior, a vereadora Maria Avalone (PSDB) protocolou o desarquivamento de uma linha de investigação ampla.
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Contudo, poucas horas depois, no fim da noite, Demilson Nogueira teria protocolado um novo pedido de CPI focado apenas na compra de materiais didáticos, o que Maysa classificou como uma manobra para “blindar a gestão municipal e abafar denúncias maiores”.
“Na data de ontem, 120 dias, acabou a CPI do vereador Eduardo Magalhães. O prazo acabou ontem. Maria Avalone foi lá, às 16h58, e protocolou o desarquivamento. Hoje abrimos a sessão lendo o desarquivamento. O vereador Edmilson Nogueira, numa atitude patética, às 21h44, estava protocolando uma nova CPI para barrar a CPI de Maria Valone. Qual é o desespero? Por que não se pode investigar?”, disparou a vereadora em seu pronunciamento.
A parlamentar continuou apontando para supostos esquemas de superfaturamento que estariam sendo deixados de lado pelo colega.
“Tem compra de kit bucal de R$ 11,99 comprada por R$ 200. Tem denúncia de parquinho superfaturado, de cama superfaturada. Por que o desespero de 21h44 em protocolar uma CPI para barrar uma investigação? Que medo é esse?”, questionou, criticando ainda a atuação do procurador da Casa, Eustáquio Neto, a quem acusou de “instrumentalizar” o cargo.
O vereador não aceitou os termos escolhidos pela colega e utilizou seu tempo de fala para contra-atacar. Em vez de focar apenas no mérito técnico da CPI, Demilson optou por expor antigas conversas e articulações políticas de bastidores, ironizando o adjetivo usado por Maysa e sugerindo que a vereadora agiu com ingratidão.
“Esse pateta é aquele que você ligou pedindo apoio quando teve aquela processante contra você. Esse pateta é o mesmo que, dentro da sala da presidência, Maysa... Quando a Mara te descascava, eu pedi a você paciência, que no plenário você vai ser salva. Não tem problema, tá tudo, não tem problema, tá? Beleza?”, rebateu Demilson Nogueira.
A réplica de Demilson revoltou a vereadora, que imediatamente acionou a Mesa Diretora, exigindo o direito de resposta, alegando que sua dignidade pessoal e política havia sido atacada pelo colega. No entanto, a presidente da Câmara, Paula Calil, manteve uma postura rígida e ignorou os apelos da parlamentar, tentando dar andamento à pauta e chamando o próximo orador.
“Não houve, vereadora. Não ofendeu a sua honra, não desqualificou a sua honra. Próximo inscrito, próximo inscrito”, repetia Paula, enquanto o plenário se transformava em um verdadeiro bate-boca generalizado, com parlamentares de pé e gritos ecoando pelas galerias.
Diante do descontrole, a presidente chegou a ameaçar o encerramento definitivo dos trabalhos. “Se os senhores não se acalmarem, nós vamos suspender a sessão. Nós vamos encerrar a sessão, se vocês não se acalmarem”, pontuando ainda que os trabalhos já haviam sido interrompidos duas vezes naquela manhã.
Mesmo com os microfones cortados e a insistência da presidência em seguir a sessão, Maysa permaneceu protestando de forma veemente em plenário. Apoiada pela leitura do Regimento Interno solicitada à primeira-secretária, Katiuscia Mantelli (Podemos), Maysa bateu o pé, citando as regras da Casa para exigir a palavra.
“Artigo 140, inciso 3, do regimento interno dessa Câmara. Três minutos em qualquer momento da sessão, para o vereador que foi citado nominalmente e atingido em sua honra. Eu fui atingida em minha honra e peço o meu direito de resposta!”, bradou a vereadora em meio ao tumulto.
A confusão escancarou o tensionamento político que tomou conta da Câmara de Cuiabá nos últimos meses, apelidada de “Casa dos Horrores” pela população devido aos constantes episódios de exaltação. Além disso, os vídeos publicados a respeito da confusão ganharam as redes sociais, gerando uma onda de comentários do público sobre a relação dos vereadores na Casa.
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