Publicidade

Cuiabá, Quinta-feira 24/09/2026

Política de MT - A | + A

DEU EM A GAZETA 24.09.2026 | 06h54

Infidelidade e conveniência política desmoralizam partidos em MT

Facebook Print google plus
Noelma Oliveira

noelma@gazetadigital.com.br

Montagem GD

Montagem GD

As eleições de 2026 caminham para ficar registradas na história como o pleito da maior traição partidária em Mato Grosso. Um espetáculo de incoerência domina os principais palanques, alcançando tanto os candidatos às vagas majoritárias quanto os postulantes aos cargos proporcionais. Os rearranjos políticos definidos no pós-convenções escancaram um cenário negativo para a democracia e aceleram a destruição de legendas. Ao adotar a cultura da infidelidade na busca pela própria sobrevivência, postulantes em Mato Grosso abraçam na prática os indicadores de pesquisas que colocam a classe política nos últimos lugares no quesito confiança do eleitor. O pior é que os movimentos ‘projeto pessoal pelo poder’ são tratados com naturalidade pelos próprios agentes públicos.


MAPEAMENTO DAS INCOERÊNCIAS
O pragmatismo eleitoral abriu brechas para questionamentos sobre o objetivo dos partidos em Mato Grosso, que hoje servem, para muitos, apenas como instrumento formal de registro de candidatura. O movimento de prefeitos do PL que declararam apoio à candidatura do governador Otaviano Pivetta (Republicanos), em detrimento do correligionário Wellington Fagundes, expõe o racha interno. Embora os chefes do Executivo não percam o mandato por essa escolha, a postura levanta discussões jurídicas e éticas sobre o alinhamento com as diretrizes do estatuto que juraram seguir. O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), por exemplo, entra neste rol. Tem aparecido mais ao lado de Pivetta do que com o candidato do seu partido. Não esconde a sua preferência pelo chefe do Palácio Paiaguás. Entre as candidaturas majoritárias, a situação do deputado federal José Medeiros (PL), postulante ao Senado, surge como uma das mais emblemáticas. Medeiros evita pedir votos para Fagundes e figura como um dos principais ‘ativistas’ do atrito no eleitorado bolsonarista raiz contra o candidato da própria chapa.


RIVALIDADE NO MESMO PALANQUE
A contradição também se reflete nas alianças pessoais. A deputada estadual Janaina Riva (MDB), candidata ao Senado, divide palanque com o deputado federal Fábio Garcia (União), com quem travou embates públicos intensos por emendas parlamentares. Além dos discursos inflamados na Assembleia Legislativa, a parlamentar recorreu a Justiça contra a política de liberação de emendas patrocinada por Garcia, então chefe da Casa Civil do governo de Mato Grosso. Também nesta campanha há a aproximação da ex-primeira-dama Virginia Mendes (União), estreante em disputas eleitorais. Há menos de dois meses, Virginia condenou publicamente uma possível aliança do seu partido com a emedebista, declarando em entrevista que Janaina representava a ‘velha política’ e que promovia ataques à sua família. Pouco tempo depois, ambas já cumpriam agenda conjunta do Norte ao Araguaia. Ainda em detrimento à aliança do qual o União faz parte junto com PP, Virginia Mendes defendeu o voto a José Medeiros. Além de Mauro Mendes na disputa ao Senado, na Federação, tem a candidatura da progressista Margareth Buzetti, de quem era amiga até pouco tempo.


CONVENIÊNCIA DE PREFEITOS
Prefeitos, da capital ao interior, agem por conveniência política e de olho nas municipais. A infidelidade partidária envolve prefeitos de diferentes legendas, especialmente no PL e do MDB, que se mostram guiados mais por conveniência individual do que pelo alinhamento de pautas locais: Em Várzea Grande, a prefeita Flávia Moretti (PL), que enfrenta instabilidade política e sem grupo consolidado no município - onde o PL caminha para o comando do grupo do ex-vice-prefeito Tião da Zaeli -, optou por apoiar Pivetta. A gestora avalia inclusive a migração para o Republicanos no próximo ano. Já os prefeitos Sérgio Machnic (Primavera do Leste) e Cláudio Ferreira (Rondonópolis), ambos do PL, mantêm histórico de atrito com Wellington Fagundes e priorizam seus próprios tabuleiros políticos e enfrentamentos futuros.


OPORTUNISMO NAS CHAPAS PROPORCIONAIS
A incoerência se estende à Assembleia Legislativa. O ex-deputado Gilmar Fabris (PSD), candidato a deputado estadual na chapa de centro-esquerda, organizou um evento articulando a presença de Wellington Fagundes no palanque, preterindo a candidata ao Senado de sua própria sigla, Natasha Slhessarenko. O desrespeito às decisões tomadas em convenção tornou-se a regra, e não a exceção, nas principais siglas de Mato Grosso. Diferente do passado, em que dissidências pontuais ocorriam sem a imposição ostensiva de candidaturas adversárias, o pleito de 2026 consolida o esvaziamento ideológico das legendas em favor de arranjos de ocasião. A resposta a essa postura caberá ao eleitor nas urnas.

 

Leia mais na edição de A Gazeta.

Voltar Imprimir

Publicidade

Comentários

Enquete

Você lembra em quem votou na eleição de 2022?

Parcial

Publicidade

Edição digital

Quinta-feira, 24/09/2026

imagem
imagem
imagem
imagem
imagem
imagem
imagem
btn-4

Indicadores

Milho Disponível R$ 66,90 0,75%

Algodão R$ 164,95 1,41%

Boi à vista R$ 285,25 0,14%

Soja Disponível R$ 153,20 1,06%

Publicidade

Classi fácil
btn-loja-virtual

Publicidade

Mais lidas

O Grupo Gazeta reúne veículos de comunicação em Mato Grosso. Foi fundado em 1990 com o lançamento de A Gazeta, jornal de maior circulação e influência no Estado. Integram o Grupo as emissoras Gazeta FM, FM Alta Floresta, FM Barra do Garças, FM Poxoréu, Cultura FM, Vila Real FM, TV Vila Real 10.1, TV Pantanal 22.1, o Instituto de Pesquisa Gazeta Dados e o Portal Gazeta Digital.

Copyright© 2022 - Gazeta Digital - Todos os direitos reservados Logo Trinix Internet

É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem a devida citação da fonte.