DEU EM A GAZETA 07.07.2026 | 06h55

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Marcelo Casal / Agência Brasil
Os integrantes do grupo autodenominado Comando C4 (Comando de Caça a Comunistas, Corruptos e Criminosos) também são investigados no inquérito das milícias digitais em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF) sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes. A informação consta no recurso apresentado pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) contra a decisão da 12ª Vara Criminal de Cuiabá que negou a prisão preventiva de Peterson Venites Komel Júnior, Salézia Maria Pereira de Oliveira e Mário Jorge Bucater, denunciados por suposta participação no assassinato do advogado Roberto Zampieri em dezembro de 2023.
No recurso, o Ministério Público afirma que o ministro do Cristiano Zanin, responsável pelos inquéritos no âmbito da Operação Sisamnes, que surgiu após análise do ‘celular bomba’ de Zampieri, que revelou um esquema de compra e venda de sentenças em vários tribunais, sob a articulação do lobista Andreson de Oliveira Gonçalves, determinou o compartilhamento de provas.
‘No que concerne à mencionada investigação acerca da existência de milícia digital, foi determinado pelo eminente Ministro do STF Cristiano Zanin o compartilhamento das provas amealhadas e sua remessa ao eminente Ministro Alexandre de Moraes em face da existência de inquéritos conexos que tratam do mesmo tema’, diz trecho do documento.
As investigações apontam que os três acusados não ocupavam posição periférica na organização, como concluiu o juiz de primeiro grau, mas exerciam funções essenciais para o funcionamento do grupo, responsável não apenas pelo assassinato do advogado Roberto Zampieri, em dezembro de 2023, como também por ações destinadas a preservar a organização e impedir a identificação dos mandantes do crime. As investigações sobre o chamado Comando C4 tiveram origem na apuração do assassinato de Roberto Zampieri.
O executor confesso do crime, Antônio Gomes da Silva, admitiu ter recebido R$ 40 mil pela execução. Também foram presos o coronel aposentado Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas e Hedilerson Fialho Martins Barbosa. Conforme a investigação da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o empresário Aníbal Manoel Laurindo teria conhecido Caçadini durante mobilizações de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro em 2023, relação que, segundo a Polícia Civil, aproximou os investigados.
Posteriormente, o aprofundamento das investigações da Polícia Federal, especialmente durante a sétima fase da Operação Sisamnes, ampliou o foco da apuração ao identificar elementos que indicariam a existência de uma organização criminosa estruturada, com armamento de alto poder ofensivo, divisão de funções e atuação voltada para homicídios por encomenda.
Mensagens e documentos apreendidos indicariam que a organização mantinha uma tabela de valores para a execução de diferentes alvos, cobrando R$ 50 mil para pessoas comuns, R$ 100 mil para deputados, R$ 150 mil para senadores e R$ 250 mil para ministros do Poder Judiciário.
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