DEU EM A GAZETA 06.05.2026 | 06h43

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Marcelo Camargo/Agência Brasil
Pela primeira vez no século XXI, o campo da esquerda em Mato Grosso não deve apresentar um concorrente direto na disputa pelo Palácio Paiaguás. Até o momento, legendas historicamente progressistas, como PT, PCdoB e PSOL, não oficializaram nomes para a sucessão estadual nas eleições de outubro. Por outro lado, o cenário atual revela uma polarização interna no conservadorismo: dos 10 postulantes anunciados até agora, a grande maioria é ligada à direita, restando apenas dois nomes identificados com o campo da centro-esquerda: a médica Natasha Slhessarenko (PSD) e o professor e geólogo Caiubi Kuhn (PDT).
A corrida eleitoral de 2026 conta com três veteranos que polarizam as atenções: o governador Otaviano Pivetta (Republicanos), que busca a reeleição, e os senadores Wellington Fagundes (PL) e Jayme Campos (União). O restante da lista é composto por figuras classificadas como “outsiders”, que possuem pouca ou nenhuma experiência em cargos eletivos. A única exceção neste grupo de “novatos” é o empresário Maurício Tonhá (Democracia Cristã), que já exerceu o cargo de prefeito em Água Boa entre 2005 e 2012. Também completam a relação de postulantes ao Paiaguás os empresários Alex Pucinelli (Democrata) e Marcelo Maluf (Novo) e o publicitário Maurício Coelho (Mobiliza), além do jornalista Rafaell Milas (Missão).
A ausência de nomes competitivos nos palanques majoritários de centro-esquerda mato-grossense reflete a baixa renovação de lideranças e a dificuldade estrutural em dialogar com o setor produtivo. Diante do cenário, as siglas progressistas abrem mão do protagonismo local para priorizar a busca pela estabilidade e sobrevivência parlamentar. Atualmente, o PT conta com Lúdio Cabral e Valdir Barranco na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) e não tem representantes na Câmara dos Deputados.
O quadro vai de encontro a um movimento regional que evidencia o fortalecimento da direita. Isso porque partidos que, tradicionalmente, ocupavam o centro do espectro político estão redesenhando suas alianças.
O MDB, por exemplo, sob a presidência da deputada estadual e pré-candidata ao Senado, Janaina Riva, tem consolidado uma aproximação com o bolsonarismo - ainda que enfrente resistência de parte das principais lideranças do PL como o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, e o deputado federal José Medeiros.
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