efeitos do EL NINÕ EM MT 20.08.2026 | 17h02

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Laisa Stofel/Gazeta Digital
Em visita à Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM) para debater as estratégias do governo federal no combate aos impactos das mudanças climáticas e do fenômeno El Niño, o deputado federal e ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães (PT), destacou a necessidade e a urgência de ações preventivas e integradas na região Centro-Oeste. Segundo ele, Mato Grosso se encontra em uma posição crítica e exige uma articulação imediata entre as esferas municipal, estadual e federal para amenizar os efeitos de secas.
“Primeiro, nós estamos, por recomendação do presidente Lula, discutindo com todas as regiões as ações preventivas. Depois que os institutos de meteorologia estabeleceram que esse fenômeno poderá ser grave, e o Mato Grosso é um dos estados que pode ser mais atingido, nós estamos discutindo preventivamente as ações”, afirmou o parlamentar em coletiva nesta quinta-feira (20).
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A gravidade e a especificidade do cenário local foram reforçadas pelo secretário adjunto da Defesa Civil do Estado, coronel BM Marcelo Augusto Reveles Carvalho, que alertou para o comportamento atípico do clima na região.
“A Defesa Civil se deteve a entender como o fenômeno El Niño vai agir durante os próximos 90 dias dentro de Mato Grosso e vimos que a ação do El Niño em Mato Grosso é diferente do resto do Brasil. Nos demais estados vai causar vendavais e chuvas; aqui é o contrário. Aqui a estiagem vai ser mais severa. A previsão nos indica que, até mesmo no mês de janeiro, a chuva pode ser aquém daquilo que normalmente é”, explicou o coronel.
Para viabilizar as iniciativas de mitigação, a interlocução direta com os gestores locais desponta como pilar central das estratégias federais e estaduais. A Casa Civil vem coordenando diálogos com entidades municipalistas e prefeituras, além de encontros regionais.
“Que ações são essas preventivas? Primeiro, a parceria com os municípios. O Ministério da Casa Civil está conversando com a Confederação Nacional dos Municípios, conversando com os governadores e, especialmente, com os prefeitos, sobre o que nós vamos fazer para cada região do Brasil”, ressaltou Guimarães, prevendo reuniões específicas por região para estruturar o plano emergencial.
A articulação com as prefeituras é vista como crucial pela Defesa Civil estadual. Contudo, o coronel Marcelo Reveles apontou um gargalo estrutural no estado.
“Aproximadamente 30% dos municípios de Mato Grosso ainda não têm [coordenadoria municipal de defesa civil], mas já fizemos os contatos com todos os prefeitos por meio da AMM e já está diminuindo esse número. O elo do município é fundamental porque é no município que as coisas acontecem”, esclareceu.
A realidade de localidades afetadas por incêndios florestais e estiagem severa, como Jangada (80 km ao norte de Cuiabá), que decretou situação de emergência após incêndios drásticos, exemplifica a urgência trazida pelos gestores.
“É claro que isso tem que ter uma ação emergencial. [...] Tem que ter uma ação nacionalizada para enfrentar um dos efeitos mais graves que pode comprometer o crescimento da economia brasileira nesse segundo semestre”, pontuou Guimarães, destacando que deixar as cidades sozinhas para conseguir caminhões-pipa ou aeronaves não resolve o problema.
No combate ao fogo, o secretário adjunto ressaltou que as queimadas representam o maior desastre enfrentado no estado, mas que ações conjuntas têm buscado diminuir os estragos.
“Sempre que há necessidade de um apoio para o combate aéreo dos incêndios florestais, o Corpo de Bombeiros nos aciona e nós imediatamente enviamos aeronaves para qualquer lugar do estado. Tem surtido bastante efeito e conseguimos, a despeito do avanço dos incêndios, de maneira rápida fazer o controle e a mitigação”, informou o coronel.
Além das preocupações ambientais e de infraestrutura de combate aos incêndios, as demandas do setor produtivo e o apoio ao agronegócio mato-grossense pautaram a visita. Em resposta às demandas de socorro aos produtores rurais, o representante do governo federal lembrou medidas legislativas negociadas recentemente e sinalizou avanços para os agricultores e pecuaristas em dia com suas obrigações financeiras.
“Aliás, nós negociamos recentemente uma medida provisória importante, que é a realização do endividamento dos produtores rurais negociados com a Frente Parlamentar do Agro na Câmara Federal, buscando essas ações conjuntas. Primeiro, a renegociação de dívidas que estão sendo beneficiadas usando adimplentes. E hoje, me dei conta aqui no Mato Grosso, de que também precisamos estabelecer uma linha de renegociação para os adimplentes, que também são aqueles que estão produzindo e estão meio sufocados”, ressaltou o ministro.
Ainda, o representante do governo federal defendeu que o combate aos eventos climáticos extremos e o desenvolvimento econômico de Mato Grosso exigem diálogo institucional contínuo, somando forças com a população.
“Eu sou da tese de que, quando têm determinadas ações, você não tem que discutir se é oposição ou não ao governo, tem que enfrentar o problema. E aqui no Mato Grosso tem que ter diálogo envolvendo o conjunto dos prefeitos e prefeitas, envolvendo o governador. Não pode deixar de dialogar, porque, senão, é o Estado que será prejudicado”, concluiu Guimarães, garantindo que retorna a Brasília com propostas viáveis para apoiar os municípios locais.
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