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'LEITEAR A PREFEITA' 23.03.2026 | 16h53

PL pede cassação de Wanderley e Flávia aciona presidente da Câmara de VG na Justiça

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O Partido Liberal acionou o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara Municipal de Várzea Grande em representação que aponta quebra de decoro do presidente do Legislativo Municipal, vereador Wanderley Cerqueira (MDB), acusado de ofender a prefeita Flávia Moretti (PL). Paralelamente, a chefe do Executivo apresentou uma queixa-crime contra o parlamentar.


Durante uma discussão com o vereador Bruno Rios (PL), Wanderley disse: “quer leitear a prefeita? Leiteia de outra forma”. A declaração ganhou grande repercussão e gerou reações de diversas autoridades, especialmente mulheres.


A peça do PL, que é assinada pelo presidente estadual da legenda, Ananias Martins Filho, ressalta que Cerqueira integra o grupo derrotado nas urnas na eleição de 2024, quando Flávia venceu o prefeito de primeiro mandato Kalil Baracat (MDB). Para o presidente do partido, o episódio não é isolado ou fruto do acaso, mas resultado de uma escalada de hostilidade dirigida contra a prefeita.

 

Leia também - Entidades repudiam fala de Wanderley Cerqueira contra a prefeita Flávia Moretti


Para o PL, a fala atingiu a “honra institucional” da gestora e foi “imediatamente compreendida, no debate público e político, como manifestação grosseira, pejorativa, ofensiva e de conteúdo misógino”. A manifestação ressalta que a fala foi feita em sessão legislativa e pelo vereador que ocupa a Presidência da Câmara, “função que exige compostura, urbanidade, imparcialidade institucional e respeito à dignidade dos agentes públicos, sobretudo da chefe de outro Poder”.


Além disso, é pontuado que, ao perceber a dimensão que a discussão estava tomando, tomou a iniciativa de pedir desculpas ao vereador com quem discutiu e não com a prefeita. Ele ainda afirmou que a intenção não era ofender e que apenas usou o “linguajar cuiabano”.


“O pedido de desculpas endereçado a quem não sofreu diretamente a ofensa, somado à recusa em promover retratação clara, objetiva e respeitosa à verdadeira atingida, evidencia não apenas insuficiência de arrependimento institucional, mas também a persistência da postura de desconsideração e deslegitimação da própria prefeita”, afirma.


O documento cita a quebra de decoro parlamentar por comportamento e linguagem incompatíveis com a dignidade da Câmara e degradação verbal da prefeita. Além disso, foi citada a questão da violência política de gênero como qualificadora da conduta alegando “ambiente de hostilidade reiterada e de sucessivos ataques públicos”.


Na queixa-crime apresentada por Moretti, a prefeita afirma que desde a sua posse vem enfrentado situações que “ultrapassam o limite da divergência” e alcançam a “desqualificação pessoal” e a “hostilidade” contra mulher. Ressaltou que a fala de Wanderley não trouxe crítica à sua gestão, mas “linguagem animalizante e humilhante”.


A peça destaca que o fato de o pedido de desculpas do presidente da Câmara ter sido dirigido ao vereador com quem discutiu e não à prefeita, que se sentiu ofendida, Wanderley “invisibilizou a vítima real, minimizou a violência verbal praticada e procurou deslocar o centro da ofensa, como se a agressão à dignidade da mulher pudesse ser absorvida por arranjo político entre homens”. A peça conclui pedindo a condenação do vereador por injúria agravada por se tratar de ofensa cometida contra mulher e também ao pagamento de indenização por danos morais.

 

Entenda
O caso foi registrado na sessão da Câmara realizada em 17 de março. O presidente iniciou uma discussão com o vereador Bruno Rios, que cobrava urgência na votação do projeto que destina R$ 6,9 milhões à saúde de Cuiabá.


Em determinado momento, diante da insistência do vereador, Cerqueira disse: “quer leitear a prefeita? Leiteia de outra forma”. As palavras foram entendidas como uma ofensa à Moretti, equiparando-a com uma vaca.


Não é a primeira vez que o vereador é acusado de ofender mulheres que atuam no Executivo Municipal. Em fevereiro deste ano, ele expôs um quadro de câncer da Secretaria de Comunicação, Paola Carlini, tentando associar o seu quadro médico com supostas irregularidades na gestão da pasta. Na época, após a repercussão negativa, Cerqueira voltou atrás e pediu desculpas.

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