DADA A LARGADA 09.08.2026 | 12h00

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Montagem/GD
O período definido pela Justiça Eleitoral para o início da campanha nas eleições deste ano começa no dia 16 de agosto. Mas a realização das convenções eleitorais e a definição das chapas que vão disputar os cargos eletivos deram o tom do que o eleitor pode aguardar. Puxadas de tapete, acordos com grupos antagônicos e até uma operação da Polícia Federal devem ter impacto direto na condução da campanha.
Veja abaixo, em ordem cronológica, os principais conflitos dessa reta final de pré-campanha em Mato Grosso.
Jayme isolado no União
A primeira grande crise foi durante a convenção do União Brasil. O senador Jayme Campos, liderança histórica da legenda desde os tempos em que ela se chamava PFL, precisou que sua candidatura fosse a um “plebiscito” interno para que os convencionais da sigla indicassem se iriam com ele ou se queriam que o partido aderisse ao projeto de reeleição do governador Otaviano Pivetta (Republicanos).
Uma cena constrangedora marcou a abertura dos trabalhos, quando o deputado estadual Dilmar Dal Bosco (União) acusou Mauro Mendes (União) de trair o partido. “Nunca na história deste PFL, nunca na história vi o partido traindo o partido!”, disse. O discurso teve trilha sonora de vaias a Mauro Mendes e Fábio Garcia.
O cenário e a plateia, estrategicamente montados para enaltecer Jayme Campos, não impressionaram os votantes. O placar final foi: 40 votos para apoiar Pivetta, 19 votos para apoiar Jayme e 1 voto de abstenção.
“É aquela história, né, da traição. A traição é muito ruim”, disse Jayme após a definição do partido. “A sociedade, ela odeia os traidores, é bom que se esclareça”, completou.
Medeiros passado para trás
O deputado federal José Medeiros (PL) tinha a certeza de que seria o único candidato a senador na chapa de Wellington Fagundes, nome do PL ao governo do Estado. O acordo foi reafirmado em reuniões internas e até na convenção do partido, onde deveria ter sido selado o tema da composição do grupo. Mas ele não esperava a reviravolta que viria.
No dia 2 de agosto, um domingo, o senador Wellington Fagundes e a deputada estadual Janaina Riva, que é presidente estadual do MDB e candidata ao Senado, fecharam um acordo com o presidente nacional do Partido Liberal, Valdemar da Costa Neto, para que ela passasse a compor a chapa majoritária no estado.
A aliança, vista pelos bolsonaristas do grupo como uma traição a Medeiros e à ideologia deles, causou um racha na legenda. Medeiros e o prefeito Abilio Brunini (PL), acompanhados de Odílio Balbinotti, empresário e suplente de Medeiros, chegaram a ir até Brasília para conversar com Valdemar e com Flávio Bolsonaro (PL), candidato a presidente. Mas nada foi resolvido.
Houve, contudo, um acordo de que ninguém seria obrigado a pedir votos para Wellington, desde que não falassem mal dele e nem aderissem a outra candidatura. A aproximação causou revolta nos prefeitos de algumas das principais cidades administradas pelo PL no estado, onde o MDB representa a principal força de oposição. Houve prefeito rebelde que aparece no palanque da convenção de Pivetta.
Mauro Mendes alvo da PF
Na quinta-feira (6), o ex-governador Mauro Mendes, membros de sua família e aliados políticos foram alvo da Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal para apurar a atuação de uma suposta organização criminosa que desviou R$ 308 milhões dos cofres do estado para fundos que seriam ligados a Mendes e ao deputado federal Fábio Garcia (União).
Ao todo, foram 31 alvos. A lista inclui a ex-primeira-dama Virginia Mendes e o filho dela com Mauro, Luis Antônio Taveira Mendes. Também receberam a visita dos policiais a procuradora Fabíola Paulino Garcia Pereira Cardoso e Laura Paulino Garcia, irmão e mãe de Fábio Garcia. Além de Ulisses Rabaneda dos Santos, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Segundo a PF, os tipos penais praticados incluem crimes contra o sistema financeiro nacional, peculato, lavagem de dinheiro e insider trading, que é o uso de informações privilegiadas para obtenção de lucro no mercado de investimentos. A materialização da conduta criminosa, segundo os investigadores, seria a destinação dos recursos do pagamento daquele valor à empresa de telefonia Oi.
Esses recursos passavam por diversos fundos de investimento, usados, conforme a PF, para mascarar as transações ilícitas. Mas os recursos tinham como destino final dois fundos de investimentos ligados a agentes políticos. O primeiro deles era o Royal Capital FIDC, que seria vinculado à família de Mauro Mendes, conforme a PF. O segundo fundo, chamado de Lotte Word FIDC, seria ligado a Fábio Garcia e a Mauro Carvalho, aliados mais próximos de Mendes.
Marcelo Maluf excluído
O Partido Novo quase aderiu ao projeto de Otaviano Piverra (Republicanos) em razão da insatisfação com a aproximação com o MDB. Contudo, após várias horas de discussão, a direção do partido decidiu continuar com Wellington Fagundes, com a promessa de que o empresário Marcelo Maluf (Novo) seria o vice do senador. A convenção, realizada na quarta-feira (04), contou com a presença do presidente estadual do partido, Ananias Martins.
O acordo, contudo, foi desfeito na sexta-feira (7), quando o grupo anunciou que Wellington “dispensou” Maluf e escolheu Alencar Farina (PL) como o seu nome para a vice-governadoria na chapa. Conforme apurado pelo
, o Novo só ficou sabendo da decisão no momento de apresentar a ata da convenção à Justiça Eleitoral.
Maluf, que poderia ter sido candidato ao governo pelo Novo, reagiu. Disse que Wellington deveria mostrar que “sua palavra tem valor” e “respeitar compromissos” se pretende governar Mato Grosso.
“Política se faz com responsabilidade, compromisso, seriedade e, sobretudo, palavra. Infelizmente, o senador Wellington Fagundes e o Partido Liberal de Mato Grosso demonstraram enorme dificuldade em compreender o significado desses princípios”, disse o empresário em declaração enviada à imprensa.
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