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defende justiça social 24.06.2026 | 14h30

Pré-candidato critica desigualdade em MT; 'não é possível ainda ter fila dos ossos'

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Laisa Stofel

laisa@gazetadigital

Reprodução TV Vila Real

Reprodução TV Vila Real

O pré-candidato ao governo de Mato Grosso, Eron Cabral (Rede), criticou duramente o atual modelo de desenvolvimento econômico do Estado. Eron confrontou o avanço do agronegócio com os índices de desigualdade social e criminalidade, resgatando episódios marcantes da história recente da capital para ilustrar a falta de “justiça social” na região.

 

“Mato Grosso hoje produz uma riqueza para o mundo. E essa riqueza agora a gente tem que transformar por meio de oportunidades, por meio da geração de emprego, de melhor qualidade de vida. Não é possível um estado que gera exportação de riqueza ainda ter, esses tempos atrás nós vivenciamos, a fila dos ossos, ainda uma desigualdade social, uma justiça social agravante”, disparou Cabral em entrevista ao Jornal do Meio-Dia na segunda-feira (22).

 

Leia também - Reunião termina sem consenso sobre votação da Mesa e vereador nega retirar proposta.

 

Para mitigar a disparidade, o pré-candidato defende uma transição urgente da exportação de matéria-prima pura para a industrialização local, usando como contraponto a volatilidade das vagas temporárias que o campo oferece. Ele utilizou o município de Sorriso, principal polo agrícola do país, para exemplificar como a ausência de indústrias e a sazonalidade do emprego podem, segundo ele, alimentar o crime organizado.

 

“Sorriso, hoje, é um dos 10 municípios mais ricos do país e é o município que é o maior produtor de soja do planeta. Só que, ao mesmo tempo, ele é um dos mais violentos, acho que está entre os 3 mais violentos do Brasil, entre os 10, e o que mais mata mulheres em Mato Grosso. Isso aí não pode acontecer”, afirmou.

 

De acordo com o político, o trabalhador que chega para a safra atua por quatro meses e depois fica desamparado, tornando-se alvo fácil para as facções.

 

“Essa pessoa hoje, que chega em Sorriso, trabalha por 4 meses e, depois, não tem o que fazer, é, logicamente, que o crime organizado vai abraçar essa pessoa. Infelizmente, porque essa pessoa está passando até necessidade. Então, a gente precisa pensar na justiça social, na distribuição de riqueza para o nosso Estado”, explicou.

 

Para combater esse avanço, Cabral propõe investimentos em inteligência tecnológica, como sistemas de reconhecimento facial, mas ressalta que a verdadeira virada de chave passa pela valorização do funcionalismo público por meio de concursos e recomposição salarial (RGA). Ele criticou severamente a atual dependência do Estado por contratos temporários.

 

“Primeiro, valorizar o servidor público. O maior patrimônio do Estado é o funcionário público. Hoje você não vê investimentos e concurso. Você vê processos seletivos, não se faz mais concurso público em Mato Grosso. Você tem que fazer concurso público para os professores, para as pessoas profissionais de segurança pública, para as pessoas profissionais da saúde, para valorizar também a questão do meio ambiente na SEMA”, defendeu.

 

Outro gargalo apontado pelo postulante ao Palácio Paiaguás foi a gestão da saúde pública. Cabral argumentou que a capital acaba sobrecarregada pelo fluxo de pacientes do interior devido à falta de estrutura e ao atraso na conclusão de obras regionais.

 

“Eu falo que realmente Cuiabá carrega esse fardo, né? A gente vê sorriso, o hospital regional lá há muitos anos parado. E onde vai parar essa pessoa que precisa de uma emergência urgente? É nos grandes centros. Então, a gente precisa, primeiro, descentralizar a questão, construir mais hospitais por meio da parceria com o governo federal”, explicou, citando a necessidade de fortalecer polos como Juína, Vale do Araguaia, Sinop e Rondonópolis.

 

Alinhado abertamente à centro-esquerda e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Eron Cabral rebateu as críticas da oposição de que o Governo Federal estaria ausente de Mato Grosso. O pré-candidato acusou a atual gestão estadual de omitir a origem de recursos federais que abastecem grandes projetos locais, citando a duplicação da BR-163.

 

“É porque eles querem surfar aqui no Mato Grosso numa onda que é onde eles vivem, né? E a gente tá aqui justamente pra mostrar que realmente o governo Lula trouxe benefício. Está tendo recurso do BNDES, um grande recurso, 4 bilhões de reais de empréstimo. Tá tendo a contrapartida do governo federal e tá tendo a contrapartida do governo estadual”, concluiu, apontando a presença do Palácio do Planalto no financiamento da rodovia.

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