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mais segurança e saúde 15.06.2026 | 17h57

Pré-candidato critica inversão de prioridades e diz que tropa da PM está 'sugada'; assista

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Laisa Stofel

laisa@gazetadigital

Reprodução Tv Vila Real

Reprodução Tv Vila Real

O pré-candidato ao governo de Mato Grosso, Laudicério Machado (Agir), criticou a atual administração estadual, abordando desde o sufocamento das forças de segurança até o colapso na regulação da saúde pública. Ele é sargento da Polícia Militar e acusou uma inversão de prioridades nos investimentos do Estado.

 

“O Estado não é banco. Ele não pode ser considerado como banco para trazer lucros percentuais”, disparou em entrevista ao Jornal do Meio-Dia nesta segunda-feira (15).

 

Ao ser questionado sobre o avanço das facções criminosas no estado e o déficit de aproximadamente quatro mil homens na Polícia Militar, Laudicério afirmou que não é possível combater a criminalidade com um número tão reduzido de soldados. Segundo ele, a falta de pessoal força a tropa a cumprir até 50 horas mensais de plantões extraordinários, gerando uma grave perda de qualidade de vida e adoecimento mental.

 

“A tropa acaba sendo sugada, ou seja, é uma ação para 'inglês ver'”, denunciou, defendendo escalas mais humanas, como a jornada de 12 por 48 horas.

 

Leia também - Deputado promete expor ‘parceria’ entre conselheiro e pré-candidato ao governo.

 

O pré-candidato também se posicionou firmemente contra os planos de terceirização na Polícia Penal, apontando um risco estratégico de infiltração do crime.

 

“Muitas vezes acaba sendo uma escola para os possíveis contratados das facções. Eu falo isso porque, se você vai ao Rio de Janeiro, os contratados que constroem artefatos para as facções criminosas são pessoas que serviram temporariamente para as Forças Armadas. Então, é algo muito perigoso quando se fala em contratação na segurança pública de pessoas terceirizadas”, afirmou.

 

A relação do Palácio Paiaguás com o funcionalismo público foi um dos pontos mais tensos da entrevista. Laudicério acusou o atual governador, Otaviano Pivetta (Republicanos), de ignorar os trabalhadores e se recusar a abrir canais de negociação.

 

“Nós estamos há sete anos sem conversar com o nosso chefe. Eu acho que é falta de interesse mesmo”, lamentou, ressaltando que as investidas dos sindicatos sempre foram feitas de maneira “educada e republicana”.

 

Além disso, o sargento cobrou a quitação imediata dos 18,38% da Revisão Geral Anual (RGA) atrasada, pontuando que a reposição inflacionária não é um benefício, mas um direito que injetaria recursos diretamente no comércio local.

 

“A dona Maria, que é uma professora aposentada, não consegue girar a economia local porque não consegue dar R$ 15 para o seu neto comprar um açaí”, comentou em exemplo.

 

Questionando a política fiscal do Estado, o postulante ao governo criticou o montante de R$ 8 bilhões destinados este ano em incentivos fiscais para “pequenos grupos”, citando o que outros pré-candidatos haviam chamado de “barões” do agronegócio e grandes indústrias. Para Laudicério, o benefício deveria ser descentralizado para socorrer microempreendedores e trabalhadores autônomos.

 

O militar também revelou que sua própria mãe, de 60 anos, perdeu a visão após esperar dois anos por uma senha na central de regulação do Estado.

 

“Depois de dois anos que ela perdeu a visão, chegou a regulação de um exame para saber se estava deslocando a retina ou não. Quantas Marias parecidas com a Machado estão aí nos rincões aguardando?”, desabafou.

 

Diante das denúncias de falta de UTIs no interior e da falta de repasses ao Hospital do Câncer, o pré-candidato questionou os gastos do governo com obras turísticas em detrimento da vida humana.

 

“O portador de câncer não tem como esperar. Qual que é o valor da vida para o cidadão, para o Legislativo e para o Executivo? [Investir na saúde] deve ser bem mais barato do que aquela roda-gigante lá do Parque do Mato Grosso”, alfinetou.


 

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