NOVA TENTATIVA 29.07.2026 | 18h38

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Chico Ferreira
A defesa do empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra, conhecido como Carlinhos Bezerra, acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar suspender novamente o Tribunal do Júri marcado para esta sexta-feira (31), em Cuiabá. Na reclamação, o advogado Elson Marcelino da Silva Junior alega violação ao direito de ampla defesa por suposta falta de acesso integral às provas e aos processos relacionados ao caso.
O empresário responde pela morte da ex-companheira Thays Machado, 44 anos, e do namorado dela, Willian César Moreno, 30 anos, em janeiro de 2023, em Cuiabá.
A defesa sustenta que a juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, da 1ª Vara Criminal de Cuiabá, teria descumprido a Súmula Vinculante nº 14, que garante aos advogados acesso aos elementos de prova já documentados. Segundo a defesa, parte dos documentos só foi disponibilizada poucos dias antes do julgamento marcado para 21 de julho.
A alegação repete a tese apresentada durante a primeira tentativa de júri, quando a defesa afirmou ter recebido cerca de 109 gigabytes de arquivos digitais, vídeos, extrações de celulares e documentos vinculados ao processo sem tempo suficiente para examinar integralmente os arquivos antes do júri. Na ocasião, os advogados abandonaram o plenário e a sessão acabou adiada.
No novo pedido ao STF, a defesa também questiona a ausência de análise sobre a juntada da gravação integral da sessão de 21 de julho, alegando que a ata não teria registrado todas as manifestações feitas durante o julgamento.
Essa é mais uma de uma série de tentativas da defesa de suspender o júri. No dia 17 de julho, a defesa apresentou um laudo psiquiátrico apontando que o acusado seria portador de cinco transtornos mentais e solicitou a instauração de incidente de insanidade mental. A solicitação foi negada pela magistrada.
A defesa também tentou transferir o julgamento para outra comarca ou Estado, alegando que a repercussão do caso poderia comprometer a imparcialidade dos jurados. O pedido também foi rejeitado.
No STF, os advogados pedem uma decisão liminar para suspender ou redesignar o julgamento até que sejam garantidos o acesso integral às provas e a análise dos pedidos apresentados.
O crime
Segundo a investigação da Polícia Civil, Carlos Alberto Bezerra perseguiu o casal por diversas ruas de Cuiabá após eles deixarem o Aeroporto Marechal Rondon, em Várzea Grande, na tarde de 18 de janeiro de 2023.
O ataque ocorreu em frente à residência da mãe de Thays, no bairro Consil. Conforme a apuração, a vítima conversava ao telefone com a filha adolescente quando foi surpreendida pelos disparos.
William César Moreno ainda tentou fugir ao perceber os tiros, mas foi atingido pelas costas e morreu a poucos metros de Thays.
Horas após o crime, Carlos Alberto foi preso em uma fazenda da família, em Campo Verde. Ele chegou a cumprir prisão domiciliar por decisão judicial, benefício posteriormente revogado. Atualmente, está custodiado na Penitenciária Major PM Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande.
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