DEU EM A GAZETA 01.05.2026 | 09h51

pablo@gazetadigital.com.br
Paulo Pinto/Agência Brasil
O movimento sindical no Brasil, que foi peça fundamental nas mobilizações dos anos de 1980 com greves gerais por melhorias salariais, também fortaleceu o processo de redemocratização no país, influenciando as eleições pelo país inteiro. Contudo, o movimento vem enfrentando um encolhimento e crise, que reflete na perda de influência nas disputas eleitorais.
Em Mato Grosso, o movimento sindical seguiu o seu crescimento exponencial durante os governos do Lula e Dilma (2003-2015), elegendo representantes ligados à esquerda desde 2002, como os ex-deputados Carlos Abacalil, Ságuas Moraes, Verinha Araújo, Rosa Neide, e a ex-senadora Serys Slhessanreko, todos do Partido dos Trabalhadores (PT), influenciados principalmente Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT).
Contudo, desde 2010, a ingerência nas disputas eleitorais foi perdendo força, sendo último sindicalista eleito para a Assembleia Legislativa (ALMT) o deputado estadual João Batista (PP) em 2018, por influência do Sindicato dos Servidores Penitenciários do Estado de Mato Grosso (Sindispen-MT).
A Gazeta conversou com os representantes das principais Centrais Sindicais no Estado para saber o que motiviou a baixa influência política e eleitoral que o sindicalismo vive no Estado.
Para o presidente da Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), Ronei de Lima, essa perda de influência é nacional e se agravou com a reforma trabalhista do governo Michel Temer (2016-2018), e que acabou sendo consolidada no governo do Bolsonaro.
Essa reforma promoveu o grande revés ao movimento sindical ao tirar a fonte de estruturação das entidades sindicais, que é a contribuição sindical. Também foi realizada intensa campanha contra a representação dos trabalhadores no país, por parte da ascensão da ideologia política de extrema direita que não tem compromisso com a classe trabalhadora, avalia.
Apesar disso, Ronei de Lima acredita que, neste ano, o movimento sindical terá a oportunidade de se reorganizar par aumentar sua influência, principalmente por conta do debate sobre o fim da escala 6x1.
Agora mesmo, encampamos a luta pela redução da jornada de trabalho, luta que reúne as Centrais Sindicais, os Sindicatos, as Federações e as Confederações. Estamos ampliando esse diálogo, participando do debate público. É o momento de rearticulação das forças, completou.
O presidente licenciado da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Henrique Lopes, também aponta que a reforma trabalhista do governo Temer foi um duro golpe no movimento sindical, que também tem enfrentando a mudança do mundo do trabalho, como a uberização.
A gente vive uma constante mudança no mundo do trabalho, um processo muito acentuado de uberização, a individualização, além da reforma trabalhista que aconteceu mais especificamente nos idos de 2017. Essa reforma também dificultou a atuação dos sindicatos, quando ela deixa de assegurar a questão da negociação coletiva nos espaços de trabalho, e retira inclusive o papel do sindicato dentro do processo de negociação, de rescisão contratual, de uma série de questões. Então é o Estado brasileiro, de forma institucionalizada, fazendo um ataque frontal ao sindicato, pontuou.
Já sobre a diminuição de sindicalistas nos cargos eletivos, Henrique afirma que existe uma pulverização do movimento sindical.
Hoje a gente tem os trabalhadores em diversos centrais sindicais e nem todos estão ligados à mesma ideologia. Então basta você verificar a quantidade de profissionais que são do movimento sindical que geralmente disponibiliza o nome para disputa eleitoral. Então a gente sempre tem feito também essa leitura, essa crítica de que falta uma certa unidade em torno de alguns nomes, mas ela não é muito fácil porque também dentro do mundo sindical a gente tem várias visões da representação sindical. É uma divisão muito acentuada e elas estão traduzidas inclusive no âmbito da quantidade de centrais sindicais que a gente tem, disse.
Já o representante da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Miranda Muniz, aponta que além dos ataques as leis trabalhistas nos governos Temer e Bolsonaro, hoje, o autofinanciamento do movimento é uma das dificuldades.
Porém, ele afirma que o hoje o grande desafio dos sindicatos é garantir melhor remuneração, ambiente mais seguro de trabalho, e a luta contra a pejotização exarcebada e atuar no sentido de garantir mais proteção e direitos aos trabalhadores de aplicativo.
Do ponto de vista eleitoral, elevar a consciência dos dirigentes sindicais no sentido de perceberam a importância também da luta política. Infelizmente, ainda há muito dirigente que exclusivisam luta sindical sem perceber que as reais transformações passam, necessariamente pela participação na luta parlamentar, nos Executivos. Os trabalhadores e trabalhadoras têm que também participar das lutas políticas e, de preferência, eleger seus representantes, finaliza.
Bancada dos trabalhadores
Departamento Intersindical de Assessorla Parlamentar (Diap) destaca a evolução da bancada dos trabalhadores por legislatura evidencia um movimento de encolhimento no Congresso Nacional, já que foram 25 parlamentares entre 1991-1995; 38 em 1995-1999;44; em 1999-2003 (40 deputados e 4 senadores); 60 em 2003-2007 (55 deputados e 5 senadores); novamente 60 em 2007-2011; e o ponto mais elevado em 2011-2015, com 72 parlamentares (64 deputados e 8 senadores).
A partir de 2015 observa-se um processo de retração expressiva da representação sindical no Congresso Nacional.
Na legislatura 2015-2019, a bancada caiu para cerca de 60 parlamentares (51 deputados e 9 senadores). Em 2019-2023, esse número foi reduzido para aproximadamente 40 representantes, sendo cerca de 35 deputados federais.
Esse recuo ocorreu no contexto do pós-impeachment, durante os governos Temer e Bolsonaro, período marcado por uma forte ofensiva contra direitos trabalhistas e sociais.
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