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Cuiabá, Terça-feira 21/07/2026

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DISPUTA DA MESA 21.07.2026 | 11h25

Vereadora diz que prefeito ofereceu secretaria a Ilde Taques

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Fred Moraes e Pablo Rodrigo

redacao@gazetadigital.com.br

Câmara Municipal de Cuiabá

Câmara Municipal de Cuiabá

O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), chegou a oferecer o comando da Empresa Cuiabana de Zeladoria e Serviços Urbanos (Limpurb) ou da Secretaria de Obras ao Podemos para tirar o vereador Ilde Taques (Pode) da disputa da Mesa Diretora da Câmara contra a atual presidente, Paula Calil (PL).  

 

A revelação partiu da vereadora Katiuscia Manteli (Pode), que relatou uma reunião entre o gestor e o partido, após a consolidação do Podemos no Estado, e a filiação de seis vereadores da capital na legenda. A exigência de Abilio foi de que o indicado teria de ser, obrigatoriamente, o vereador.  

 

A oferta ocorreu logo após a estruturação da legenda na capital, que passou a contar com uma bancada de 6 parlamentares: Katiuscia Manteli, Ilde Taques, Sargento Joelson, Alex Rodrigues, Dra. Mara e Kássio Coelho. Para o grupo, a investida do prefeito não visava ao fortalecimento institucional da sigla, mas sim a uma manobra para retirar Ilde do páreo pela presidência da Mesa Diretora da Câmara Municipal.   

 

Leia também - Vídeo – Em Cuiabá, candidato descarta recuo e diz que vai enfrentar Lula no segundo turno

 

“Nós fomos sim, falamos em um maior espaço, não falamos de secretaria e não falamos de nome. Mas, como a gente já havia marcado, eu acredito que ele já estava preparado e ele propôs que ele poderia dar uma secretaria, ele sugeriu que fosse uma secretaria, Obras ou Limpurb, desde que fosse o vereador Ilde que assumisse”, disse ela nesta terça-feira (21).

 

“O que a gente entende aí? Uma vez o vereador Ilde assumindo uma secretaria, ele não seria o candidato a presidente da Mesa. Então, foi o primeiro não aí que ele recebeu do Podemos”, completou.  

 

A recusa marcou o encerramento definitivo do diálogo em bloco entre a sigla e o Palácio Alencastro. Segundo a parlamentar, o desgaste escalou rapidamente, culminando na perda de coesão do partido frente à gestão municipal.

 

“Nunca mais houve uma conversa do Podemos com o prefeito Abilio, com o grupo do Podemos junto ao prefeito Abilio. Depois, o Ilde foi o primeiro do Podemos a ser removido do grupo [de aliados]; depois, o Kássio ficou na base, eu e o Ilde fomos mais para a independência, o Alex já foi retirado também, enfim, aí foi acontecendo o que aconteceu. Hoje, o vereador Kássio está na base, alguns do Podemos estão fazendo um perfil mais independente, a vereadora Katiuscia, junto com alguns outros vereadores estão na oposição”, explicou. 

 

A interferência direta de Abilio Brunini no processo de escolha do comando do Legislativo cuiabano visava blindar a candidatura da vereadora Paula Calil (PL), nome abençoado pelo prefeito para presidir a Casa. Porém, a ostensiva pressão do chefe do Executivo em favor de sua correligionária gerou desconforto no parlamento e aprofundou as divisões internas no bloco governista.  

 

A insistência de Abilio em interferir no pleito interno do Poder Legislativo cobrou seu preço. O esfacelamento da base aliada, evidenciado pela expulsão de parlamentares oposicionistas e independentes dos grupos oficiais de comunicação da prefeitura, enfraqueceu a governabilidade do prefeito em votações cruciais.  

 

A consequência mais expressiva desse teto de vidro rachado ocorreu no plenário da Câmara. Em uma demonstração de força contra as ingerências do Executivo, o parlamento cuiabano rejeitou o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) enviado pela prefeitura.  

 

A derrocada da matéria não apenas travou o recesso parlamentar dos vereadores até a aprovação de uma nova proposta, como deixou evidente a perda de controle de Abilio Brunini sobre a maioria das cadeiras da Casa.

 

 

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