‘MAURO MENTE QUE NEM SENTE’ 03.09.2026 | 17h48

laisa@gazetadigital.com.br
Reprodução / Montagem
O ex-governador de Mato Grosso e candidato ao Senado pelo PSB, Pedro Taques, deu novas declarações sobre os desdobramentos da Operação Heritage, que investiga suposto desvio de R$ 308,1 milhões do erário estadual por meio de uma negociação tributária envolvendo a operadora Oi S.A. Durante pronunciamento transmitido em rede social, o ex-governador afirmou que suas acusações são amparadas exclusivamente por dados oficiais e cobrou explicações de Mauro Mendes (União). Até o momento, Mendes garante que tudo o que Taques diz é mentira e que os órgãos de controle de Mato Grosso atestaram a legalidade do acordo com a empresa.
“Nada é invenção. São todos documentos públicos. O documento está aqui. A prova de que você [Mauro Mendes] panhô o dinheiro da Oi”, destacou durante live no YouTube, sustentando que sua intenção é esclarecer a população. “Não é sobre Mauro, é sobre expor ao Brasil”.
Ao classificar a complexidade e a engenharia financeira utilizada no caso, Taques recorreu a comparações diretas com a criminalidade organizada.
“Nada diferente de um traficante que esconde seu dinheiro. Nada diferente do Comando Vermelho e do PCC, que escondem seu dinheiro”, disparou. Questionado diretamente se a estrutura configurava uma “cleptocracia”, um sistema de governo em que líderes corruptos usam o poder político para roubar a riqueza do próprio país, ele respondeu de forma incisiva que a situação se trata de uma “facção criminosa”.
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De acordo com as apurações levadas por Taques às autoridades e posteriormente corroboradas por decisões no Supremo Tribunal Federal (STF), a transação furou o regime constitucional de precatórios e liberou recursos do caixa estadual em tempo recorde.
“Em duas semanas o dinheiro foi redirecionado, pulando a fila dos precatórios. [...] O próprio Supremo diz que está em ‘aparente desconforme com a lei’”, afirmou.
O candidato detalhou a suposta rota percorrida pelos valores, apontando a criação de uma rede de fundos de investimento gerenciados por instituições financeiras. Taques os aportes em direitos creditórios (FIDCs) e participações (FIPs) foram abertos e liquidados com celeridade atípica pelo Banco Master, citando movimentações entre os meses de abril e junho de 2024.
Segundo o ex-governador, a engenharia financeira incluiu a emissão de 55 notas promissórias para empréstimo entre a empresa Venture e a mineradora Minerbrás, com cadastro aberto no Banco Master. Para Taques, a triangulação funcionou para camuflar a origem do montante, culminando no perdão das dívidas e no repasse para familiares do atual governador.
“Eles usaram esse empréstimo para lavar dinheiro e posteriormente tiveram a dívida perdoada pela Venture. A mineradora faz transferências milionárias para a holding da família. Com o perdão e transferências, não existe inadimplência e esse dinheiro é lavado para contas dos filhos de Mauro, incluindo a menor de idade”, denunciou.
Ainda, Taques desafiou diretamente Mendes a apresentar seus extratos bancários e rebater as acusações com provas.
“Não tenho nada contra Mauro Mendes. Tenho contra aqueles que roubam o patrimônio do povo de Mato Grosso. Não estou fazendo isso por conta de Mauro Mendes, poderia ser qualquer um. [...] Não adianta você ser leão na internet e na vida real ser um gatinho. Então, Mauro Mendes, você precisa ter coragem de vir a público mostrar esses extratos”, pontuou.
O candidato também rebatia alegações de que as denúncias seriam fruto de motivação estritamente eleitoral. Ele reiterou que a representação começou a ser desenhada antes do período das convenções.
“Nós começamos a tratar desse caso em novembro de 2024, e em 2025 nós chegamos ao Master. [...] Quem tem projeto investigado em ano de política não sou eu. Eu quero ser senador para fazer justiça contra aqueles que roubam. [...] Ele quer ser senador para se esconder da Justiça e ter foro”, garantiu.
Taques afirmou ainda que o Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) mantém procedimentos ativos para apurar o caso.
“O Mauro mente que nem sente. O MPMT o está investigando desde que eu fiz a representação. Eles não arquivaram, então Mauro está mentindo. [...] O Ministério tem que tomar providências; eu não tenho força para isso. Sou cidadão e me indigno com essas coisas. Isso é algo que precisa ser falado para a sociedade. Ou vamos fazer de conta que não existiu? Que Papai Noel é real?”, concluiu.
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