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Política Nacional - A | + A

07.08.2014 | 21h25

Eder reafirma inocência e defesa diz que Júnior Mendonça mentiu

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Paulo Godinho/Divulgação

Eder foi ouvido por mais de 6 horas e reafirmou ser inocente

Após ter negado o pedido de suspensão de seu depoimento nesta quinta e sexta-feira (7 e 8), o ex-secretário de Fazenda Eder Moraes (PMDB) foi ouvido por mais de 6 horas durante a audiência de instrução no processo que tramita na 5ª Vara Federal em Cuiabá por crimes de lavagem de dinheiro e ocultação de bens. Dentro de sua estratégia de negar todas as acusações, Eder, juntamente com sua defesa colocam em xeque as declarações do empresário Gércio Marcelino Mendonça Júnior, o Júnior Mendonça, que subsidiaram a 5ª etapa da Operação Ararath, deflagrada no dia 20 de maio. Moraes e seu advogado Paulo Lessa, alegam que Mendonça mente.

“Ele não tinha ligação com o Júnior Mendonça, essa é a pura verdade, isso ficou provado hoje”, disse Lessa sustentando que “não houve prova alguma de lavagem de dinheiro”. A defesa do peemedebista diz acreditar ainda que Eder foi usado como “bode expiatório”. Para o jurista, outras pessoas influentes em Mato Grosso é que deveriam estar presas no lugar de Eder, que segundo Lessa, não tem mais influência em nada, nas questões de governo. “Na realidade, eu trabalho com a inocência do Eder, não é negativa de autoria. Ele não participou de fatos ilícitos. É muito precoce dizer qualquer coisa agora, vamos aguardar. Acredito que está servindo de bode expiatório, possivelmente existem outras pessoas que poderiam estar presas e não estão”, disse o advogado.

Apontado como o principal operador de um esquema investigado na Operação Ararath, Eder respondeu no primeiro dia de interrogatório, a pelo menos 30 questionamentos que constam na denuncia. Reafirmou não ser culpado pelos crimes pelos quais é acusado juntamente com outros 3 réus, incluindo sua esposa, Laura Tereza da Costa Silva. Eder está preso desde maio e todas as declarações são dadas por seus advogados. Lessa, ao deixar a sede da Justiça Federal às 19h40, disse que seu cliente sustenta inocência e vai provar isso lá na frente, e que portanto, Júnior Mendonça, não dissse a verdade. “Olha, pelo que eu pude perceber, Júnior Mendonça está mentindo sim, tem muitos pontos contraditórios no depoimento dele”, disse Paulo Lessa.

As investigações da Operação Ararath conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal (MPF) apontam que o esquema de lavagem de dinheiro e crimes contra o sistema financeiro pode ter movimentado pelo menos R$ 500 milhões, tendo como destino algumas empresas, campanhas políticas e utilizados para transações ilegais. É investigada inclusive, a denúncia de compra de uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE) pelo ex-deputado estadual e atual conselheiro Sérgio Ricardo de Almeida (PR).

Otmar de Oliveira

Paulo Lessa acredita que delator da Ararath, Júnior Mendonça, mentiu 

Depoimento - O advogado Paulo Lessa disse que Eder respondeu muitas perguntas. “Acho que parou no 30º ponto da denúncia contra ele, ainda ficaram oito pontos para amanhã”, disse o jurista avaliando como positivo e sustentando que Eder “está no caminho de provar a inocência”. O teor exato do depoimento o advogado não revela e a imprensa não tem acesso à sala de audiência.  Dessa forma, não é possível saber se ele fez alguma revelação que possa agravar a situação de outros investigados na Operação Ararath, mas que ainda não são réus em nenhum processo.

Sobre o interrogatório, acompanhado pelos advogados dos demais réus, Lessa disse que o ex-secretario estava tranquilo ao responder os questionamentos com respostas que, segundo o advogado, passou segurança e conhecimento técnico do assunto, no caso o sistema financeiro nacional explicando como funciona. “Demonstrou que não houve ilegalidades a serem apontadas”, ressalta Lessa.

O depoimento foi interrompido para continuar nesta sexta-feira a partir das 13h30. Ele segue preso na Polinter em Cuiabá. Eder teve negado pelo juiz federal Jeferson Scheneider, 3 pedidos, incluindo a solicitação de expedição de ofício ao diretor da Polinter para Eder poder receber uma cópia integral do processo e permanecer com ela enquanto estive preso e ainda. Outro pedido negado foi a suspensão de uma decisão que desmembrou o processo do ex-secretário-adjunto de Fazenda Vivaldo Lopes, no tocante ao crime de lavagem de dinheiro. “Sob hipótese alguma os pedidos negados prejudicam a defesa”, destacou Lessa.

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