DONO DA HAVAN 19.06.2026 | 18h25
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Conversas de WhatsApp obtidas pela Polícia Federal identificaram que o grupo Frente Ampla Patriótica, de ideologia fascista e liderado pelo coronel de Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, denunciado pelo Ministério Público por envolvimento no assassinato do advogado Roberto Zampieri, cogitou entrar em contato com o empresário Luciano Hang para pedir financiamento ao grupo. Eles queriam adquirir fuzis do tipo sniper.
Essas conversas, vistas pelos policiais federais como planejamento relacionado aos atos de 8 de Janeiro, quando houve uma tentativa de golpe de Estado e de abolição violenta do Estado de Direito, foram registradas em abril de 2021.
No diálogo entre Caçadini e Peterson Venites Komel Junior, conversam sobre a aquisição de um fuzil sniper avaliado em R$ 90 mil e a procura por um financiador.
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“Vou atrás de outros. Tinha que arrumar um Luciano Hang”, escreve Caçadini em 5 de abril de 2021. “Um Fz (fuzil) sniper médio, em torno de 90 mil? É foda, caboclo”, escreve em outro trecho.
"Você conhece alguém para nos colocar em CTT (contato) com Luciano Hang? Precisamos de patrocinadores para as festas e vão acontecer com certeza", diz em outra conversa, datada de 5 de janeiro de 2023.
Noutro trecho da conversa, Peterson questiona: “Alguém tem o contato dele? É em SC [Santa catarina], né?”
Ao que Caçadini responde: “Creio que sim! Vamos buscando”.
Conforme o relatório, uma arma desse tipo foi encontrada com outro integrante do grupo, identificado como Gilberto Louzada. Não há, contudo, qualquer evidência de que o empresário catarinense tenha envolvimento com o grupo.
O relatório aponta que foram encontradas uma pistola .40 S&W bem como o fuzil 7.62 x 51 mm com capacidade de lançamento de granadas, em posse de Gilberto. “Tratam-se de equipamentos compatíveis com os vislumbrados por Caçadini para a atuação do Comando”, diz trecho do relatório.
“Ao longo da investigação, percebeu-se a busca de Caçadini por financiadores de expressão econômica para dar suporte aos seus planos, que notadamente tinha um viés político, mas também de enfrentamento paramilitar das instituições democráticas, sendo as ‘missões’, assim entendidas como os levantamentos, reconhecimentos estratégicos e até execuções, uma forma de arrecadar recursos e, a exemplo do que ocorreu com Aníbal Laurindo, vincular um rico empresário a investimento do centro de treinamento e à associação que visava constituir”, prossegue o documento.
No segundo turno das eleições de 2022, houve uma radicalização do grupo liderado por Caçadini, que abrangia também o Comando de Caça Comunistas, Corruptos e Criminosos (Comando C4). As mensagens daquela época já falam em “guerra civil”, “combate e guerra prolongada” e “sangue derramado”, previstos para 2023, ano da posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
No início de janeiro, conforme a PF, já foi possível verificar a certeza de Caçadini “acerca da guerra campal, do cenário de violência e depredação que se estabeleceu na Praça dos Três Poderes, em Brasília, apenas três dias depois do diálogo com Peterson”.
O grupo usava o Signal para trocar mensagens com conteúdos considerados mais sensíveis. Esse aplicativo é considerado um dos mais seguros para conversas privadas e criptografadas. Também foram encontradas planilhas com dados e endereços de deputados federais e senadores. Peterson, oficial da reserva, repassou essas informações para Caçadini.
Etevaldo Caçadini de Vargas é acusado de ser o financiador do crime que vitimou o advogado Roberto Zampieri. A vítima tinha 56 anos e foi assassinada com diversos disparos de arma de fogo, na noite do dia 5 de dezembro de 2023, na frente de seu escritório localizado no bairro Bosque da Saúde, na capital.
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