gabinete paralelo 29.03.2022 | 14h53
Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado
O líder da oposição no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), apresentou um requerimento de instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Casa para investigar as suspeitas de corrupção no Ministério da Educação, apontando possíveis crimes cometidos pelo ex-ministro Milton Ribeiro e pelo presidente da República, Jair Bolsonaro. A atuação de um gabinete paralelo operado por pastores no MEC, envolvendo até mesmo cobrança de propina em contrapartida à liberação de recursos para escolas, foi revelada pelo jornal O Estado de S. Paulo.
Após a demissão do ministro, senadores pressionam pela abertura de uma investigação que apure a atuação de pastores na pasta e a destinação de verbas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).
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Milton Ribeiro é investigado na Polícia Federal por denúncias de envolvimento com um esquema de corrupção operado por pastores no ministério.
O chefe da pasta pediu demissão dez dias após a publicação da primeira de uma série de reportagens do jornal O Estado de S. Paulo que revelou a atuação do gabinete paralelo do MEC com cobrança de propina até mesmo em barras de ouro, em troca da liberação de recursos federais para a construção de escolas por prefeituras.
Requerimento
O requerimento do senador aponta pelo menos cinco suspeitas de crime envolvendo Milton Ribeiro e o presidente Jair Bolsonaro.
O chefe do Executivo é classificado como, ‘no mínimo, autor intelectual ou mandante dos atos criminosos‘ pelo líder da oposição. ‘Não se pode admitir que um dos ministérios mais relevantes para o futuro do País e de maior peso orçamentário seja transformado em um verdadeiro balcão de negócios‘, diz o requerimento.
As suspeitas giram em torno de crime de peculato, emprego irregular de verbas públicas, corrupção passiva, prevaricação e advocacia administrativa.
Os pastores envolvidos, Gilmar Santos e Arilton Moura, também são acusados no requerimento por possíveis crimes de tráfico de influência e corrupção ativa.
A abertura de uma CPI depende da assinatura de 27 senadores e de decisão do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que nos últimos dias criticou os critérios do MEC e as declarações de Milton Ribeiro, mas ressaltou ser necessário dar um ‘crédito‘ para ele se explicar.
O ex-ministro foi chamado para uma audiência na Comissão de Educação do Senado na próxima quinta-feira, 31.
‘A distribuição de recursos públicos afetos à referida pasta ministerial não pode ser feita às escuras, sem a observância dos princípios constitucionais da impessoalidade e da eficiência, buscando beneficiar os amigos do rei. As verbas destinadas à educação não podem ficar na mão de agentes estranhos ao Estado, servindo de moeda de troca para angariar apoio político e ganhos indevidos‘, diz o pedido.
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