Desafio global 20.04.2026 | 14h13
Ricardo Stuckert / PR
Na Alemanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender o multilateralismo para enfrentamento de desafios globais, especialmente no cenário de guerras. Em fala durante a inauguração do estande brasileiro na Feira Industrial de Hannover, o petista também fez críticas ao que chamou de “era das fake news” e defendeu que o mundo “não pode ser dirigido por mentiras”.
“O mundo não pode ser dirigido na medida em que alguém que pensa ser mais importante que os outros toma decisões para impor ao mundo, como se o mundo não existisse democraticamente”, afirmou Lula.
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Apesar de não mencionar o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a fala do petista se dá em meio à guerra no Irã, iniciada após ataques norte-americanos e israelenses contra o país no Oriente Médio. Em outras ocasiões, Lula mencionou que a motivação do conflito, justificada pelo suposto desenvolvimento de armas nucleares, seria “mentira”.
O conflito no Oriente Médio vem sendo criticado por líderes globais, que entendem que a decisão de Trump prejudica a estabilidade internacional.
Lula, que está na Europa desde o último dia 17, cumpre agenda na Alemanha para compromissos políticos, econômicos e empresariais.
Ao criticar as guerras, o presidente comentou que a “harmonia constituída depois da Segunda Guerra Mundial para estabelecer a paz e a harmonia entre os países está sendo jogada fora”.
“Não é possível que a gente não tenha noção de nós que precisamos mudar essa situação mundial”, disse Lula, ao fazer um apelo para “todos aqueles que defendem o multilateralismo, para todos aqueles que não querem guerra, para todos aqueles que querem paz, para todos aqueles que querem construir e não destruir, para todos aqueles que querem defender a vida e não defender a morte, para todos aqueles que pensam no futuro da humanidade humana”.
“Vejam que eu falei humanidade humana, porque a humanidade está virando algoritmo”, afirmou o presidente, que em nenhum momento do discurso fez referência aos Estados Unidos ou ao presidente norte-americano, Donald Trump.
Relação Brasil-Alemanha
Sobre a Alemanha, Lula disse que a relação do Brasil com a potência europeia “nunca mais será a mesma” após a feira e que o resto do mundo terá “inveja” da parceria entre os dois países.
“Temos muito interesse em fazer com que a nossa aliança com a Europa e, sobretudo, com a Alemanha, seja uma aliança cada vez mais produtiva, cada vez mais eficaz e cada vez mais capaz de proporcionar ao povo alemão e ao povo brasileiro perspectiva de um futuro mais promissor”, afirmou o presidente da República.
Transição energética
Lula também falou da transição energética, ao citar a mistura de biocombustíveis com combustíveis fósseis no Brasil. “Nós temos 30% de etanol misturado à nossa gasolina e 15% de biodiesel misturado no nosso diesel.”
Processos migratórios
Ele ainda exaltou os processos migratórios e disse que aqueles que defendem a democracia e o multilateralismo são bem-vindos no Brasil: “Um país criado por imigrantes.”
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