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prêmio bertha luz 27.03.2025 | 16h16

Senado premia 19 mulheres que defendem direitos e igualdade de gênero

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Lula Marques/Agência Brasil

Lula Marques/Agência Brasil

O Senado entregou, nesta quinta-feira (27), o Prêmio Bertha Lutz a 19 mulheres que se destacaram na defesa dos direitos femininos e de questões de gênero no país. A homenagem foi realizada no plenário do Senado Federal.

 

Instituído em 2001, o nome do prêmio é uma homenagem à bióloga, advogada e diplomata paulista Bertha Lutz, reconhecida como líder feminista e pela luta pela educação brasileira, no século 20. Bertha Lutz batalhou pelos direitos políticos das mulheres, pelo voto feminino e foi deputada federal entre 1935 e 1937. Ela perdeu o mandato em 1937, com a implantação do Estado Novo, que suprimiu os órgãos legislativos do país.

 

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O Diploma Mulher-Cidadã Bertha Lutz é entregue anualmente em março, mês em que se comemora o Dia Internacional da Mulher.

 

A senadora Leila Barros (PDT-DF), que presidiu a sessão no Senado exclusivamente convocada para a entrega do prêmio, fez referência a duas das agraciadas com o prêmio, as atrizes Fernanda Torres e Fernanda Montenegro, filha e mãe, respectivamente. Fernanda Torres venceu, em janeiro, o Globo de Ouro como melhor atriz de drama e concorreu ao Oscar pela atuação no filme brasileiro Ainda Estou Aqui, de 2024. Fernanda Montenegro, de 95 anos, tem notória trajetória de oito décadas na dramaturgia. Em 1999, Fernandona, como é chamada, foi indicada ao Oscar de melhor atriz seu papel no filme Central do Brasil.

 

Tanto Ainda Estou Aqui quanto Central do Brasil foram dirigidos pelo brasileiro Walter Salles.

 

Segundo a senadora, o diploma é ato de resistência a toda forma de discriminação contra a mulher, “contra a discriminação, contra o machismo estrutural, contra a opressão e contra a desigualdade salarial de gênero também”.

 

Como parlamentar, a senadora Leila Barros reafirmou a importância da participação das mulheres em todos os espaços de decisão e de poder.

 

“Não podemos perder a oportunidade de fazer justiça, de garantir que mais mulheres ocupem as cadeiras legislativas. Precisamos de mais mulheres na política. A sub-representação feminina resulta em políticas públicas que nem sempre atendem as nossas demandas. Precisamos lutar por cotas, manter o financiamento adequado e assegurar a estrutura para que as mulheres tenham condições de disputar e vencer eleições”, afirmou Leila.

 

Na abertura da sessão, o senador Eduardo Gomes (PL-GO) reconheceu que as desigualdades de gênero atravessam gerações e desejou que se encerrem um dia. “A causa feminina é pela igualdade e pela justiça. É a luta contra a discriminação, contra a violência de gênero e a desigualdade salarial, a luta pela equiparação de oportunidades, pela divisão do trabalho doméstico, pela efetiva inclusão social.”

 

A senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) ressaltou que a proteção dos direitos humanos das mulheres deve ser de responsabilidade de pessoas do gênero masculino também.

 

“Nosso alerta é para que possamos nos unir de verdade, todos os setores, todos os homens e todas as mulheres, para que tenhamos paridade de verdade”, enfatizou Soraya.

 

Homenageadas
Na edição de 2025 do prêmio, as 19 personalidades agraciadas em diferentes áreas foram:

 

1. Ani Heinrich Sanders, produtora rural do Piauí;

2. Antonieta de Barros (in memoriam), primeira mulher negra a ser eleita deputada no Brasil, por Santa Catarina;

3. Bruna dos Santos Costa Rodrigues, juíza do Tribunal de Justiça do Ceará;

4. Conceição Evaristo, escritora e membro da Academia Mineira de Letras;

5. Cristiane Rodrigues Britto, advogada e ex-ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos;

6. Elaine Borges Monteiro Cassiano, reitora do Instituto Federal de Mato Grosso do Sul;

7. Elisa de Carvalho, pediatra, professora universitária e membro da Academia de Medicina de Brasília;

8. Fernanda Montenegro, atriz e membro da Academia Brasileira de Letras;

9. Fernanda Torres, atriz e escritora;

10. Janete Ana Ribeiro Vaz, empreendedora e cofundadora do Grupo Sabin;

11. Jaqueline Gomes de Jesus, escritora, professora e primeira gestora do sistema de cotas para negros da Universidade de Brasília (UnB);

12. Joana Marisa de Barros, médica mastologista da Paraíba;

13. Lúcia Willadino Braga, neurocientista e presidente da Rede Sarah de Hospitais de Reabilitação;

14. Maria Terezinha Nunes, coordenadora da Rede Equidade e ex-coordenadora do Programa Pró-equidade de Gênero e Raça do Senado;

15. Marisa Serrano, ex-senadora;

16. Patrícia de Amorim Rêgo, procuradora de Justiça do Ministério Público do Acre;

17. Tunísia Viana de Carvalho, ativista dos direitos maternos e infantojuvenis;

18. Virgínia Mendes, filantropa e primeira-dama de Mato Grosso;

19. Viviane Senna, presidente do Instituto Ayrton Senna.

 

Em nome de todas as premiadas, a juíza Bruna dos Santos Costa Rodrigues disse que, apesar de a data relembrar lutas e vitórias das mulheres, e que ainda existem desafios. “Saímos daqui conversando sobre o que faremos para aquilo que nós não queremos. Saímos daqui mais decididas, mais empoderadas e com muito mais convicção de que vale a pena, a vida presta”, disse a juíza, citando fala da atriz e homenageada Fernanda Torres.

 

“Na pauta de gênero, não existe esquerda ou direita. A pauta é única porque é o direito humano. Todos e todas querem que o Brasil seja reconhecido, não por violar os direitos humanos, como tantas condenações que temos junto às cortes internacionais, mas por ser um país que executa e dialoga para que os direitos humanos, a igualdade das mulheres, o direito de viver, o direito de se vestir como quiser, o direito de ser o que quiser e de não estar a todo tempo pela pecha do machismo e do racismo que são presentes na nossa sociedade”, afirmou, em discurso a juíza.

 

Bruna Rodrigues mencionou ainda a escritora Conceição Evaristo, presente à cerimônia de entrega dos diplomas, segundo a qual, “o importante não é ser o primeiro. O importante é abrir caminhos”.

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