06.07.2003 | 03h00
Um escultor disse, certa vez, que a escultura já existe dentro de um bloco de pedra ou mármore. O que o artista consegue é retirar o excesso e revelá-la a todos, garantiu. É o que faz Paulo Pires de Oliveira. Mas em seu caso, há muito mais a revelar do que formas. São sentimentos, aflições, visões de mundo e de relacionamentos até então mantidas dentro de si e que extravasa através da "dura" arte de moldar pesados blocos de pedra.
Na exposição que fará a partir do próximo dia 8, no Museu de Arte e Cultura Popular da Universidade Federal de Mato Grosso (MACP-UFMT), ele mostra bem isso. São cerca de 60 peças produzidas nos últimos anos e que revelam, a seu estilo, um certo erotismo. Esta, no entanto, pode ser apenas uma visão da obra, que consegue encerrar muito mais, apesar deste ser aparentemente seu ponto mais forte.
Em alguns minutos de conversa, é possível perceber que Paulo Pires é uma pessoa ansiosa, sensível e em constante busca por amor, compreensão e aceitação. Talvez por conta disso, suas esculturas não tenham formas acabadas. Ele não quer dar um rosto, ele não retrata simplesmente uma pessoa, um casal ou um grupo numa determinada situação. A pedra foi moldada para exprimir um sentimento. Por isso é possível, então, nos colocarmos facilmente no lugar de seus "personagens".
É a maneira como um menino simples, que foi trabalhar muito cedo numa marcenaria, descobriu para falar, ganhar a atenção das pessoas. A pedra apareceu em sua vida justamente num desses momentos em que queria colocar para fora o que sentia. Procurou a beira de um rio como inspiração para escrever poesias, mas achou nas esculturas o melhor veículo para isso. "O que sinto passo para as pedras", confessa.
Paulo conta que achou um bom pedaço de arenito e resolveu levá-lo para casa e fazer com ele o que já vinha fazendo com os restos de madeira que pegava na marcenaria. Procurava dar-lhe formas, inicialmente, com o intuito de criar seus próprios brinquedos. Mais tarde, passou a encarar o resultado como arte. O esforço, a dificuldade, eram muito maiores, mas o prazer de trabalhar com elas se tornou muito superior a qualquer obstáculo, lembra.
O resultado foi uma produção acelerada de esculturas. Mesmo não tendo para quem vender, não conseguia parar de fazê-las, conta. É como um vício que quando faz soar o alarme deve ser satisfeito imediatamente. Depois de quatro, cinco dias, ou mesmo uma semana, dependendo do tamanho e do material, está pronta mais uma obra.
Apesar de serem feitas com o mesmo material e da forma muito parecida como retratam as situações, as esculturas não são repetitivas. Cada uma delas tem um desenho único e, mesmo que quisesse, Paulo não conseguiria copiá-las. Assim como dificilmente se encontra pedras iguais umas às outras, as esculturas são peças únicas. Os tamanhos também são variados, partindo de 20 centímetros até um metro de diâmetro, o mesmo acontecendo com a altura. O peso vai de 30 a 70 quilos. Para a exposição no MACP ele pretende mostrar uma peça de nada menos que 400 quilos, chamada "Mares do Prazer".
A individual é o resultado de cerca de 15 anos de dedicação à escultura. A contagem é feita por ele partindo do início de seu trabalho com madeira, aos nove anos de idade. É a realização de um sonho, diz ele. Realizado graças a ajuda da crítica de arte Aline Figueiredo, que apostou no talento do rapaz.
Aline conheceu seus trabalhos há alguns anos, quando ele participava do Salão Jovem Arte Mato-grossense de 2001. Já havia notado que ali estava uma nova promessa da arte escultórica do Estado. Uma arte acima de tudo universal, contemporânea e vigorosa, opina.
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