21.07.2003 | 03h00
Calvo e careca são palavras temidas pelo universo masculino, são como os cabelos brancos para as mulheres, muitas vezes escondidos sob as tintas. Para muitos, os cabelos brancos são sinal de charme da idade, mas a calvície é um detalhe que incomoda. Entre as inúmeras tentativas para reverter a situação estão os medicamentos tópicos, implantes e até mesmo as perucas. A busca incansável pelo elixir milagroso para a retomada do crescimento dos cabelos fazem a festa das indústrias de medicamentos que também lutam contra o tempo na descoberta de uma cura para a calvície.
A verdade conhecida pela medicina é a de que se o pai, avô ou tios (paternos ou maternos) tiverem problemas de queda de cabelo, o homem tem 25% de chances de ficar careca já na adolescência e 50% de riscos de perder cabelo a partir dos 40 anos. Quanto antes o potencial careca perceber o problema e procurar um dermatologista, maiores as chances de deter ou controlar o processo. Sem tratamento os fios continuam caindo e, o que é pior, os folículos pilosos, de onde eles brotam, "secam", enterrando de vez qualquer esperança de recuperação.
Os estudos mostram que todos perdemos diariamente entre 50 a 70 fios, principalmente durante o sono, por causa da fricção no travesseiro, e na hora de lavar e pentear. O problema é quando essa queda se acentua, ultrapassando mais de 200 fios, e o cabelo começa a ficar mais curto, fino, frágil e com perda de cor. A calvície se instala quando os novos fios deixam de compensar as perdas. Um fenômeno chamado alopécia androgenética.
A queda contínua e irrecuperável dos cabelos deixa muitos homens com auto-estima baixa. Para muitos a falta de cabelo acaba com o sex appeal, além de envelhecer a aparência. O problema maior se dá quando a falta de cabelos surge ainda na adolescência, entre os 15 e 18 anos. Marcelo* está com 30 anos e sofre com a calvície desde os 16. Até bem pouco tempo os ralos cabelos ainda acobertavam os vãos no centro da cabeça. Hoje restam apenas alguns fios arrepiados na área central da cabeça amparados por uma borda voluptuosa que vai de traz das orelhas até a nuca.
Marcelo conta que na adolescência sofreu bastante. No auge da potencialidade masculina, as garotas sempre preferiam os cabeludos. A auto estima abalada levou-o a procurar tratamentos. Mas com o tempo percebeu que se tratava de uma questão genética, sem grandes soluções. Apesar de casado e ciente da calvície, ainda aguarda um medicamento que dê resultado.
Nenhuma das drogas existentes no mercado atualmente cura a calvície, ou seja, traz os cabelos de volta, mas são paliativos que evitam a queda dos fios restantes. Nos casos mais avançados, quando os folículos estão mortos e a queda está estabilizada, a saída é o transplante capilar - desde que o paciente possua cabelo na área doadora (região da nuca). Na cirurgia são feitos de 1.500 a 3.000 microenxertos de unidades foliculares, principalmente na região frontal e na coroinha. Geralmente, os cabelos começam a nascer após a 12ª semana.
Entre os carecas traumatizados, no entanto, há as exceções. Antônio* está com 31 anos e se diz indiferente à falta de cabelos. Apoiado pela questão genética (pai e irmãos calvos) disse que nunca se sentiu mais ou menos atraente, ou teve problemas de relacionamento. Quando era mais jovem tentou algumas loções, mas sem sucesso e desistiu.
Estes homens satisfeitos com a atual aparência, no entanto, sempre estão abertos às novidades da medicina. Alemão*, 42 anos, tem o perfil do homem que se acostumou com a calvície. Nos primeiros sinais de queda buscou tratamento, mas sem resultados. Segundo ele, alguns medicamentos garantiam o aparecimento de fios apenas durante o uso. "Se parar de tomar o cabelo voltava a cair", conta. Com o tempo desistiu, mas perguntou à reportagem se já havia algum produto novo que funcionasse.
* Os nomes foram mudados a pedido dos entrevistados
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